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Hora de exigir reciprocidade

Amaro Sales de Araújo, Presidente da FIERN e COMPEM/CNI.

Há poucos dias a Petrobras anunciou a suspensão da produção em 25 plataformas nos Estados da Bahia, Ceará, Rio Grande do Norte, Sergipe e Espírito Santo. Aos poucos, a empresa vem suspendendo outras atividades no Brasil e, particularmente, no Rio Grande do Norte.
Não são desconhecidas as notícias de corrupção na Petrobras. Os números são tão expressivos que não param de nos impressionar. Contudo, esta não é a única motivação da suspensão de atividades da empresa. Foram constatados erros de gestão e há o peso adverso da conjuntura econômica mundial.

Certamente a Petrobras não pode, por longo tempo, operar deficitariamente. Com a corrupção estancada e um novo modelo de gestão, provavelmente, as contas melhorem. Aliás, no balanço de 2014 a empresa reconheceu, somente com o esquema de pagamentos indevidos investigado pela Lava Jato, a impressionante quantia de R$ 6,194 bilhões.

Por outro lado, não pode sair do Rio Grande do Norte, mesmo que parcialmente, sem construir alternativas e gerar compensações, seja por investimentos em outras áreas (energia renovável, p. ex.); seja pela liberação de poços maduros e a articulação para que o Governo Federal promova novas licitações; seja pela oferta d´água a partir de poços profundos; seja pelo apoio – direito ou indireto – a empresas dos arranjos produtivos que se formaram em torno dela.

Mesmo considerando todas as dificuldades, uma certeza nós temos: a Petrobras, depois de anos explorando as riquezas potiguares, não pode simplesmente bater as sandálias, limpar a poeira e ir embora. Não é justo com o Rio Grande do Norte. A estatal deve ser cobrada veementemente a assumir responsabilidades com o nosso Estado. Ela tem compromissos que vão além do balanço financeiro. Tem obrigações sociais, tem uma imagem a zelar que reflete no próprio desempenho, enfim, não pode chegar dizendo apenas que vai embora, deixando escavações, tubos e uma legião de pessoas que acreditaram, investiram, viviam em torno da exploração do petróleo e gás.

Evidentemente que os números podem ser aferidos, mas é consenso a importância da empresa na economia local e os arranjos produtivos que se formaram em torno dela ao longo de décadas. Tudo, de uma hora para outra, não pode desmoronar.

A empresa não pode se limitar a um comunicado que está saindo sem apresentar um plano ou projeto que minimizem essa decisão que penaliza fortemente a economia potiguar. Isso não admitiremos. Sobre isso não podemos calar. Todas as forças vivas da sociedade devem se unir nesse momento de extrema gravidade para exigir, finalmente, que a estatal reconheça que tem uma dívida imensa com o nosso Rio Grande do Norte e que chegou a hora de oferecer reciprocidade.

PUBLICADO NA TRIBUNA DO NORTE (31.07.2016)

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Hora de exigir reciprocidade

Amaro Sales de Araújo, Presidente da FIERN e COMPEM/CNI.

Há poucos dias a Petrobras anunciou a suspensão da produção em 25 plataformas nos Estados da Bahia, Ceará, Rio Grande do Norte, Sergipe e Espírito Santo. Aos poucos, a empresa vem suspendendo outras atividades no Brasil e, particularmente, no Rio Grande do Norte.
Não são desconhecidas as notícias de corrupção na Petrobras. Os números são tão expressivos que não param de nos impressionar. Contudo, esta não é a única motivação da suspensão de atividades da empresa. Foram constatados erros de gestão e há o peso adverso da conjuntura econômica mundial.

Certamente a Petrobras não pode, por longo tempo, operar deficitariamente. Com a corrupção estancada e um novo modelo de gestão, provavelmente, as contas melhorem. Aliás, no balanço de 2014 a empresa reconheceu, somente com o esquema de pagamentos indevidos investigado pela Lava Jato, a impressionante quantia de R$ 6,194 bilhões.

Por outro lado, não pode sair do Rio Grande do Norte, mesmo que parcialmente, sem construir alternativas e gerar compensações, seja por investimentos em outras áreas (energia renovável, p. ex.); seja pela liberação de poços maduros e a articulação para que o Governo Federal promova novas licitações; seja pela oferta d´água a partir de poços profundos; seja pelo apoio – direito ou indireto – a empresas dos arranjos produtivos que se formaram em torno dela.

Mesmo considerando todas as dificuldades, uma certeza nós temos: a Petrobras, depois de anos explorando as riquezas potiguares, não pode simplesmente bater as sandálias, limpar a poeira e ir embora. Não é justo com o Rio Grande do Norte. A estatal deve ser cobrada veementemente a assumir responsabilidades com o nosso Estado. Ela tem compromissos que vão além do balanço financeiro. Tem obrigações sociais, tem uma imagem a zelar que reflete no próprio desempenho, enfim, não pode chegar dizendo apenas que vai embora, deixando escavações, tubos e uma legião de pessoas que acreditaram, investiram, viviam em torno da exploração do petróleo e gás.

Evidentemente que os números podem ser aferidos, mas é consenso a importância da empresa na economia local e os arranjos produtivos que se formaram em torno dela ao longo de décadas. Tudo, de uma hora para outra, não pode desmoronar.

A empresa não pode se limitar a um comunicado que está saindo sem apresentar um plano ou projeto que minimizem essa decisão que penaliza fortemente a economia potiguar. Isso não admitiremos. Sobre isso não podemos calar. Todas as forças vivas da sociedade devem se unir nesse momento de extrema gravidade para exigir, finalmente, que a estatal reconheça que tem uma dívida imensa com o nosso Rio Grande do Norte e que chegou a hora de oferecer reciprocidade.

PUBLICADO NA TRIBUNA DO NORTE (31.07.2016)

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