Vida que segue

19/06/2017   08h00

Amaro Sales de Araújo, industrial, Presidente do Sistema FIERN e do COMPEM/CNI

 

 

Pode até parecer repetitivo, mas o lamento dos empreendedores não é outro, senão o desejo de que o Brasil volte a andar em melhor velocidade, ou seja, que a vida siga em frente. Mesmo com a intolerância e o radicalismo que estão marcando os últimos debates, apesar das denúncias e turbulências, deveria existir um nível de prudência que recomendasse – acima dos embates partidários e vaidades pessoais – a continuidade das ações principais de Governo e, sobretudo, as reformas necessárias que interessam ao País.

 

Lamentavelmente toda semana a crise política é requentada e os seus efeitos na economia são desastrosos. As crises políticas existiram e sempre vão existir. Desejávamos que as autoridades e líderes vislumbrassem um ponto de equilíbrio, sobre o qual não deveriam avançar ou, mesmo por equívoco avançando, que o fizessem sem tantos estragos na economia. O Presidente da República, por exemplo, está sendo investigado. Ora, antes de uma eventual condenação, o País não precisa parar. A investigação deve ocorrer, assegurado o contraditório, mas os assuntos principais do Brasil podem avançar, sobretudo, os temas estratégicos.

 

Neste sentido, a modernização das leis do trabalho e a reforma previdenciária são relevantes. Alcançam, em síntese, dois problemas graves e atuais: o desemprego e o desequilíbrio das contas públicas. Se o problema da Previdência Social não for enfrentado, o Governo Federal vai quebrar! O que arrecada, em algum tempo, não será suficiente para suportar a folha de ativos e inativos. E os serviços – saúde, educação, segurança, por exemplos – devidos a população? E os investimentos – estradas, habitação, energia, etc. – que ajudam significativamente a mover a economia? O problema é muito grave. Estamos diante de uma possibilidade real de agravamento da crise, verdadeiro colapso.

 

Por outro lado, com as eventuais correções que se façam devidas, precisamos modernizar as relações do trabalho e banir ou minimizar a insegurança jurídica do contrato laboral. O emprego é o melhor modelo de distribuição de renda e, consequentemente, aliado indispensável à qualidade de vida. Quem gera empregos é a iniciativa privada que, por sua vez, deve ser apoiada e estimulada para ampliar a oferta de trabalho. O emprego não pode ser tão caro que se torne indisponível às empresas. Também não podemos admitir condições indignas para os trabalhadores. Contudo, é possível construir alternativas próprias que atendam aos interesses de empreendedores e trabalhadores, sobretudo, através do diálogo e da consolidação de convergências. A modernização aprovada na Câmara e em tramitação no Senado Federal é um bom começo de um novo caminho.

 

O fato é que tudo é urgente. Já perdemos muito tempo. Precisamos avançar e mais rapidamente, mesmo diante de turbulências políticas. Evidentemente que gostaríamos de não tê-las, mas, se as temos, devemos enfrentá-las sem parar o Brasil. Acredito que assim pensa a grande maioria dos empreendedores e, deste modo, esperamos que também atuem as autoridades, líderes, imprensa e outros importantes atores do País, gigante de potencialidades e cheio de renovadas esperanças.

 

Publicado na Tribuna do Norte em 18.06.2017