Internet das coisas e big data deixarão o mundo mais seguro, diz holandês especialista em defesa

11/06/2019   14h18

 

O diretor de Negócios para América do Sul da empresa holandesa TNO Defesa & Segurança, Wim de Klerk, avalia que tecnologias que nortearão a indústria 4.0, como a internet das coisas e o big data, colaborarão de forma decisiva para tornar o mundo mais seguro. O quanto a defesa ganhará com a inovação ainda é uma incógnita, mas o holandês é categórico quanto aos avanços que o setor de defesa tende a obter.

 

“Acreditamos que com internet das coisas e big data faremos mais, tornando o mundo mais seguro. A informação em tempo real estará no centro das operações”, afirmou Klerk. Ele participou na manhã desta terça-feira (11), em São Paulo, do painel sobre tendências da inovação na área de defesa, que fez parte da programação do segundo dia do 8º Congresso Brasileiro de Inovação da Indústria, promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e o Sebrae.

 

“É possível até que possamos fazer a previsão de crimes se estivermos na posição de podermos prever para nos proteger”, completou o holandês, referindo-se a um futuro não muito distante em que a interação em tempo real poderá permitir inclusive a substituição de policiais por robôs capazes de operar na área da segurança.

 

Wim de Klerk alertou, no entanto, que no setor da defesa há uma grande atenção em relação ao risco do mau uso de tecnologias. Segundo ele, é importante que inovações não caiam em mãos erradas. Ele observou que, em tese, será possível produzir armas e munições em impressoras 3D. A TNO Defesa & Segurança atua em cooperação com o governo holandês e pretende firmar parcerias com universidades brasileiras para investir em pesquisa e inovação.

 

CAÇA GRIPEN – Também palestrante do painel sobre defesa, Lisa Åbom, vice-presidente de Tecnologia da empresa aeroespacial Saab (Suécia), detalhou a parceria da companhia sueca com o Brasil na produção do caça Gripen, desenvolvido para uso da Força Aérea Brasileira (FAB). A inovação está na raiz da produção da aeronave, projetada para operar até a década de 2060.

 

“A nossa aeronave é projetada para voar até 2060. Mas vai haver mudanças tecnológicas com muita rapidez. Por isso, precisamos de um sistema que possa ser atualizado com frequência para fazermos qualquer tipo de up grade. Nosso principal desafio hoje é conseguir nos abrir, ver o mundo de fora, e deixar que essas inovações venham a partir do contato com a academia e com startups”, detalhou a executiva sueca.

 

Lisa acrescentou que inovações como a inteligência artificial e o big data transformarão o setor e propiciarão mais segurança. Ela detalhou que todo o processo de produção do Gripen é feito primeiramente em computadores, o que minimiza erros. “Qualquer erro é resolvido antes do fim do projeto. Antes dos voos, simulamos e detectamos cada ponto a ser aprimorado. Assim, todos os erros e enganos são sanados antes de sequer fabricarmos as peças. Isso é Indústria 4.0 e digitalização”, disse.