VÍDEO: Educar para empoderar – professoras e alunas contam suas histórias

11/03/2019   09h21

 

A 1ª mulher da história a conquistar um prêmio Nobel, a cientista polonesa Marie Curie, foi a inspiração para Nelikim Pelizer escolher a carreira que queria seguir: química.

 

Apesar dos homens ainda serem maioria nas áreas de ciências exatas, Nelikim nunca duvidou que seria capaz de aprender e ser tão competente quanto eles. “Sempre fui muito curiosa. Meu presente de 5 anos foi um microscópio. Então, meus pais me incentivavam pro lado da ciência. Eu falo que tanto o menino, quanto a menina, eles podem ser bons naquilo que eles quiserem. Basta dedicação. É 1% de inteligência e 99% de suor”, acredita a professora.

 

Nelikim se acostumou a sempre ser minoria na área que escolheu. E mesmo quando ouvia piadas machistas, ela não dasanimava. “Às vezes eu era a única mulher do laboratório, a única do estágio, a única selecionada. Não bastava ser só boa. Tinha que ser a melhor” diz ela. Assista ao depoimento da professora do SESI.

 

 

Michelle Perez, 21 anos, também escolheu uma área em que é minoria entre os colegas de trabalho. Ela fez curso técnico de Redes de Computadores no Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) e logo que se formou, conseguiu o primeiro emprego.

 

Assim como muitas mulheres, Michelle já passou por vários momentos em que precisou provar que é tão competente quanto qualquer outro colega de trabalho. “Ainda existe muito machismo no mundo. E na área de tecnologia é inevitável”, conta.

 

Michelle estudou durante dois anos no SENAI e saiu de lá certa da carreira que queria seguir. Depois se formou como Tecnóloga em Gestão de Tecnologia da Informação e faz planos de ir além. “Eu quero continuar estudando. Eu ainda tenho muita certificação para tirar. A área de tecnologia todo ano está se atualizando”, afirma.

 

 

Aos 8 anos, Fabiana Costa Caldeira sofreu um grave acidente de carro. Os pais não sobreviveram. Ela ficou com sequelas físicas e neurológicas.

 

Desde cedo Fabiana aprendeu a conviver com olhares de desconfiança se ela era capaz de fazer várias coisas. E diz que, até hoje, é assim. “Você ser mulher, independente, deficiente, é muita informação pra muitas pessoas”. E completa: “seria um sonho haver igualdade”.

 

Este ano, Fabiana começou o curso de Assistente Administrativo no SENAI. E além de estudar, trabalha como Jovem Aprendiz no Serviço de Orientação Educacional (SOE) da escola de Taguatinga (DF). Está feliz com a escolha e a oportunidade.

 

 

Igualdade entre homens e mulheres é assunto debatido em sala de aula na escola do Serviço Social da Indústria (SESI) do Gama (DF).

 

Comentários e atitudes machistas de alguns alunos com as colegas e os casos violência contra mulheres, publicados pela imprensa, foram os principais motivos para a professora de Literatura Juliana Barbosa e a bibliotecária Letícia Gomes organizarem o projeto “A mulher como argumento”.

 

Elas perceberam que os temas feminismo, machismo e igualdade de gêneros mereciam uma atenção especial e que os jovens estão abertos a estas discussões. “Isso tudo influenciou na decisão de começar esse projeto aqui na escola, né? Pra que a gente possa educar os nossos alunos a partir de agora, pra eles serem cidadãos melhores no futuro”, explica Letícia Gomes.

 

A biblioteca também virou espaço para se falar sobre escritoras, que marcaram diversos períodos da literatura mundial. Os alunos podem conhecer mais da obra e da história de várias delas: a britânica Jane Austen, autora de “Orgulho e preconceito”; a também britânica J.K.Rowling, da série “Harry Potter”; a brasileira Cecília Meirelles, que escreveu “Ou isto ou aquilo”, “O menino azul”, entre outras obras; e a ucraniana naturalizada brasileira Clarice Lispector, autora de “A hora da estrela” e “Perto do coração selvagem”.

 

Os resultados do projeto elas vêem no dia a dia da escola, no interesse dos alunos ao trazer assuntos para novos debates e na mudança de comportamento deles. “Não é desconstruir o pensamento só no homem mas na mulher também, né? Nós percebemos que muitas vezes até a criação, a forma como fomos criadas, de ter a todo momento de nos podar, nos cercear, para poder adequar à sociedade que estamos vivendo, já faz com que a gente ainda tenha que lutar e buscar ainda muito pra conquistar o nosso espaço”, diz a professora Juliana.