Custo do gás natural e da energia elétrica impactará a indústria se a guerra no Oriente Médio continuar

17/03/2026   10h01

 

 

 

O Conselho de Infraestrutura da Confederação Nacional da Indústria (Coinfra/CNI) manifestou, em nota técnica enviada à base industrial, preocupação com o conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, e o fechamento do Canal de Ormuz.

 

A nota destaca que, como ocorre em qualquer guerra no Oriente Médio, poderá haver impactos sobre cadeias produtivas, como a do petróleo e seus derivados, gás natural e de transporte. As tensões na região criam volatilidade nos mercados globais com consequências diretas para a economia brasileira.

 

No caso do gás natural consumido pela indústria, uma parte expressiva dos contratos é indexada pelo Brent (principal referência global de preço para o petróleo bruto), e o gás usado pelas termoelétricas pelo JKM (índice asiático do gás). Esses contratos geralmente são trimestrais e calculados pela média dos últimos 90 dias.

 

Esses indicadores vêm subindo. O barril de petróleo Brent já atingiu 100 dólares e o JKM aumentou aproximadamente 50%. A variação dos indicadores normalmente é repassada para os contratos de compra de gás a cada três meses, observando-se a média do período. Caso o conflito se prolongue, a variação desses índices deverá ser repassada aos contratos, acarretando sérios problemas para a economia brasileira, como:

 

>> Impacto nos preços de fertilizantes que usam o gás natural como matéria prima;

>> Aumento de preços para as indústrias que utilizam o gás natural em seus processos, como a indústria química, siderurgia, petroquímica, cerâmica e de vidros;

>> Possível pressão sobre os custos da produção de energia pelas termoelétricas a gás natural. Hoje, no Brasil, temos 178 usinas desse tipo em operação, equivalendo a uma potência instalada de 19.038 MW (60% da geração térmica e 9% da geração total).

 

 

 

Os conflitos no Oriente Médio acendem o alerta também para a possibilidade de impactos em contratos ainda não firmados no setor elétrico. Com as turbulências no mercado de GNL (gás natural liquefeito), aumenta a percepção de risco para projetos de usinas termelétricas que farão uso do combustível e pretendem se viabilizar no leilão LRCAP (Leilão de Reserva de Capacidade em forma de Potência).

 

O Conselho de Infraestrutura da CNI alerta que o preço do gás natural no mercado brasileiro já é um dos mais elevados do mundo, representando um obstáculo para a competitividade da indústria. Com as restrições causadas pelo conflito, a tendência é de um severo agravamento nos custos para toda a cadeia produtiva.

 

Diversos contratos trimestrais de gás natural poderão ter reajuste a partir de 1º de maio de 2026. Caso a guerra não termine antes disso, teremos uma pressão de custos e sérios problemas econômicos para as indústrias, em razão da dependência de gás e energia.

 

“É hora de discutirmos medidas para minimizar a eventual alta desses insumos, a fim de proteger os consumidores e a economia brasileira, garantindo a manutenção da competitividade da indústria”, afirma o presidente do Coinfra/CNI, Alex Dias Carvalho.

 

Texto e foto: Agência Nacional da Indústria