No RN, serviços cresce acima da média nacional em 2025, apesar de desaceleração recente, aponta MAIS RN

14/01/2026   18h26

 

O setor de serviços do Rio Grande do Norte manteve desempenho positivo em 2025, com crescimento acima da média nacional, apesar de sinais de desaceleração no curto prazo. É o que aponta a análise do Observatório da Indústria MAIS RN, do Sistema FIERN, com base em dados da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), do IBGE, divulgada nesta terça-feira (13). O acompanhamento passa a integrar um novo produto periódico do Observatório, voltado ao monitoramento da conjuntura econômica estadual.

 

Em novembro de 2025, o volume de serviços no RN recuou 0,3% na comparação com outubro, configurando o segundo mês consecutivo de queda, após retração de 1,2% em outubro. Ainda assim, na comparação com novembro de 2024, o estado registrou alta de 0,5%, indicando manutenção do crescimento no horizonte interanual.

 

Segundo o assessor técnico do Observatório da Indústria MAIS RN, Pedro Albuquerque, o comportamento recente exige leitura cautelosa. “A leitura integrada do desempenho do setor de serviços no Rio Grande do Norte em 2025, combinando os dados conjunturais do IBGE com o CAGED acumulado de janeiro a novembro de 2025, revela um quadro mais favorável no médio prazo, porém marcado por desaceleração recente”, afirmou.

 

No acumulado de janeiro a novembro de 2025, o setor de serviços potiguar avançou 3,5%, superando a média brasileira (2,7%) e ficando à frente de estados como Ceará (3,1%), Maranhão (3,0%), Pernambuco (0,3%), Bahia (-1,3%) e Piauí (-1,6%). No acumulado de 12 meses, o crescimento foi de 4,2%, desempenho intermediário no Nordeste. A Paraíba (5,7%), registrou maior crescimento no período.

 

Para Pedro Albuquerque, o resultado mensal acompanha um movimento mais amplo observado no país. “Esse comportamento acompanha o padrão nacional de arrefecimento no curto prazo, o Brasil também variou negativamente (-0,1%), e se insere em um contexto em que 17 das 27 unidades da federação registraram queda no volume de serviços no mês”, explicou.

 

Apesar da desaceleração recente no volume de atividades, o setor de serviços segue liderando a geração de empregos formais no estado potiguar. De acordo com a análise do Observatório, o cruzamento dos dados da PMS com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), entre janeiro e novembro de 2025, aponta 100.282 admissões e 92.770 desligamentos, resultando em saldo positivo de 7.512 vagas formais — “o maior entre todos os grandes grupamentos da economia potiguar”, segundo o assessor técnico.

 

“Isso indica que, apesar da desaceleração recente no volume de serviços, o setor segue como principal motor de geração de emprego formal no estado”, destacou Albuquerque.

 

Ele chama atenção, no entanto, para a composição desse crescimento. “Os dados revelam uma preocupação e um apontamento positivo: no que tange o primeiro, chama atenção o perfil relacionado aos serviços da administração pública terem sido àqueles com maiores avanços, especialmente considerando um momento de grave déficit fiscal e comprometimento da receita pública com gasto de pessoal em nosso estado”, avaliou.

 

No agregado do ano, a administração pública (defesa, educação, saúde humana e serviços sociais) respondeu por saldo positivo de 4.125 vagas. Em contrapartida, o assessor destaca o desempenho do turismo como ponto favorável. “No segundo caso, destaque-se como positivo o setor de alojamento e alimentação, diretamente associado ao turismo, o saldo foi de +1.989 vagas, com crescimento relativo expressivo (+6,24% do estoque mensal)”, afirmou.

 

Turismo mantém trajetória positiva

 

Os dados específicos do turismo potiguar reforçam esse diagnóstico. Em novembro, o volume de atividades do setor ficou estável na comparação com outubro, mas cresceu 4,2% frente a novembro de 2024. No acumulado de janeiro a novembro, o avanço foi de 5,1%, levemente acima da média nacional (5,0%). Já nos últimos 12 meses, o crescimento chegou a 5,8%, também superior ao resultado do Brasil (5,5%).

 

Para Pedro Albuquerque, os números são consistentes. “Esse resultado é plenamente consistente com os dados de turismo potiguar, que mostram estabilidade no volume mensal, mas crescimento robusto na comparação interanual (+4,2%), no acumulado do ano (+5,1%) e nos últimos 12 meses (+5,8%). Ou seja, o turismo no RN segue em trajetória estruturalmente positiva, sustentando emprego formal mesmo em meses de acomodação da atividade”, analisou.

 

Desafio está nos serviços intensivos em tecnologia

 

O estudo também aponta desafios estruturais para o futuro do setor no estado, especialmente nos serviços intensivos em conhecimento e tecnologia. “Desenhando já um cenário futuro, o RN apresenta grave desafio, qual seja, o bloco de ‘informação, comunicação, atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas’ que apresenta sinais de esgotamento relativo”, alertou o assessor.

 

Apesar de concentrar grande volume de admissões (55.203) e manter estoque elevado de vínculos (124.143), esse grupo apresentou saldo líquido de apenas +331 vagas, com crescimento relativo de 0,27%, aponta Pedro Albuquerque. “Esse comportamento contrasta com o padrão nacional, no qual justamente os serviços intensivos em tecnologia da informação foram os principais vetores positivos em novembro”, comparou.

 

Segundo Pedro Albuquerque, isso revela limitações do estado. “No RN, esses segmentos ainda não se traduzem em forte geração líquida de emprego, sugerindo limitações estruturais do estado na captura do dinamismo dos serviços digitais mais sofisticados”, concluiu.

 

De forma geral, o Observatório da Indústria MAIS RN avalia que o setor de serviços no estado encerra 2025 com saldo positivo, embora com desafios à frente. “Em síntese, o setor de serviços no Rio Grande do Norte em 2025 apresenta um cenário globalmente positivo, sustentado por crescimento acima da média brasileira e forte geração de emprego formal, especialmente no turismo e nos serviços sociais”, afirmou.

 

Ele reforça, porém, que o desempenho recente exige atenção. “Esse desempenho convive com sinais de desaceleração recente e com uma estrutura produtiva ainda pouco diversificada, o que limita o potencial de aceleração futura e reforça a necessidade de políticas voltadas à sofisticação dos serviços intensivos em conhecimento e tecnologia”, finalizou.

 

A leitura da Pesquisa Mensal de Serviços passa a integrar o conjunto de análises periódicas do Observatório da Indústria MAIS RN, ampliando a oferta de inteligência econômica do Sistema FIERN para subsidiar decisões do setor produtivo e do poder público no Rio Grande do Norte.