Emprego industrial no RN avança em segmentos estratégicos apesar de ano desafiador, aponta MAIS RN

21/01/2026   18h23

 

 

A indústria do Rio Grande do Norte apresentou sinais relevantes de resiliência no mercado de trabalho ao longo de 2025, mesmo em um cenário marcado por retração da produção industrial. A constatação faz parte a análise do Observatório da Indústria MAIS RN, do Sistema FIERN, que passa a acompanhar de forma periódica a dinâmica entre produção e emprego no estado, a partir da integração dos dados da Pesquisa Industrial Mensal (PIM-IBGE) e do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).

 

Segundo o assessor técnico do Observatório, Pedro Albuquerque, a leitura conjunta dos indicadores permite uma compreensão mais ampla do desempenho industrial potiguar. “A análise integrada do PIM-IBGE com os dados de emprego formal permite uma leitura mais abrangente do comportamento da indústria potiguar”, afirmou.

 

Entre os destaques positivos está o desempenho das indústrias extrativas de janeiro a novembro, que registraram crescimento médio de 6,6% no emprego formal, impulsionado por atividades como extração de petróleo, exploração de tungstênio, metais preciosos e sal marinho. O avanço da empregabilidade acompanha a variação positiva da produção nesses segmentos, aponta a análise.

 

A indústria de Alimentos também apresentou resultados consistentes no mesmo período. De acordo com a analista de Negócios do Observatório, Mariana Freitas, “os segmentos de panificação, sorvetes e laticínios apresentaram crescimento médio de 3,9% no emprego, corroborando o desempenho positivo observado na produção”. O comportamento reforça a capacidade do setor de manter postos de trabalho mesmo diante de oscilações no ambiente econômico, destaca.

 

Outro ponto de destaque foi o complexo Têxtil, de Confecção e vestuário, que se consolidou como o maior empregador da indústria de transformação potiguar, com 21.358 trabalhadores formais. Em 2025, o setor registrou expansão de 4,4% no emprego, desempenho alinhado ao crescimento apontado pela PIM-IBGE. Para Mariana Freitas, esse resultado confirma a importância do segmento, “reforçando seu papel estratégico no atual parque industrial do estado”.

 

Produção Industrial enfrenta desafios no NE

 

No panorama geral, entretanto, o Rio Grande do Norte enfrentou um ano industrialmente desafiador. Em novembro de 2025, a produção industrial estadual caiu

 

A análise do Observatório aponta que esse resultado foi fortemente influenciado pelo setor de Refino de Petróleo e Biocombustíveis, responsável por cerca de 24,17% do PIB industrial potiguar, que acumulou queda de 16,94% no período.

 

Ao isolar esse efeito, outros segmentos industriais apresentaram desempenho positivo, ainda que moderado. “Quando isolado esse efeito, observa-se que outros segmentos industriais apresentaram variações positivas, ainda que moderadas, ao longo de 2025”, explicou Pedro Albuquerque, ao destacar os avanços registrados pelas Indústrias Extrativas (+0,78%), pela Indústria de Alimentos (+0,74%) e pelo Vestuário (+3,59%).

 

No recorte regional, o Nordeste também apresentou um cenário de baixo dinamismo industrial. Em novembro, a produção industrial da região avançou 0,1% em relação a outubro e cresceu 0,4% na comparação interanual. No acumulado do ano, porém, o resultado foi negativo, com recuo de 0,5%, refletindo desafios estruturais semelhantes aos observados em nível nacional, mostra a pesquisa.

 

Cenário nacional

 

No Brasil, os dados da PIM-IBGE indicam que a indústria registrou estabilidade em novembro de 2025 frente ao mês anterior, com variação de 0,0%. Na comparação com novembro de 2024, houve queda de 1,2%. Já no acumulado de janeiro a novembro, a produção industrial nacional cresceu apenas 0,6%. “O desempenho reforça a leitura de que 2025 foi um ano de quase estagnação para a indústria brasileira, marcado por baixo dinamismo e forte heterogeneidade setorial”, reflete Albuquerque.

 

No resultado mensal, alguns segmentos exerceram impacto positivo relevante, com destaque para produtos farmoquímicos e farmacêuticos (+9,8%), principal contribuição positiva para a média da indústria; Impressão e reprodução de gravações; Metalurgia; Produtos de metal; Produtos de minerais não metálicos; Máquinas e equipamentos.

 

Em contrapartida, os principais impactos negativos no desempenho industrial decorreram dos segmentos: Indústrias extrativas; Veículos automotores, reboques e carrocerias; Produtos químicos; Produtos alimentícios; Bebidas.

 

Na série com ajuste sazonal, 8 dos 15 locais pesquisados pelo IBGE apresentaram crescimento em novembro. Mato Grosso (7,2%) e Espírito Santo (4,4%) registraram as expansões mais intensas, enquanto Goiás (-6,4%) e Amazonas (-2,8%) apresentaram as quedas mais expressivas.

 

O acompanhamento periódico desses indicadores busca oferecer subsídios técnicos para a compreensão do comportamento da indústria potiguar e para o planejamento de ações voltadas ao fortalecimento do setor no estado.