
Com o objetivo de aprimorar a rastreabilidade do cobre comercializado no Rio Grande do Norte, o Sindicato da Indústria de Reciclagem e Descartáveis do RN (SINDRECICLA-RN) reuniu empresários e colaboradores do setor para apresentar inovações no SisRecicla, sistema informatizado de cadastro e monitoramento da compra, venda e troca do metal no estado. O encontro aconteceu na Delegacia Geral de Polícia Civil (Degepol), nesta quarta-feira (29), para apresentar o aplicativo para dispositivos móveis do sistema.
Nele, os recicladores podem cadastrar detalhes das movimentações de materiais, como data, quantidade e/ou origem ou destino. O aplicativo foi desenvolvido pela Polícia Civil do RN e replica as funcionalidades do sistema já disponível na versão para computador, com vistas a facilitar e agilizar acesso e navegação dos usuários.
A iniciativa é um desdobramento do debate iniciado entre a FIERN e o SINDIRECICLA-RN junto aos órgãos de segurança pública do estado, em fevereiro de 2025, para definir caminhos para combater roubo de cabos da rede elétrica.
O assunto é tratado no Decreto nº 33.958/2024, que dispõe sobre o cadastro de compra, venda ou troca de cabo de cobre, alumínio, baterias e transformadores para reciclagem no Estado.
O presidente do SINDRECICLA-RN, Etelvino Patrício, destacou que o aplicativo é um avanço para o setor. “Teremos a facilidade de fazer o cadastramento de fornecedores direto no smartphone e todos os recicladores potiguares poderão documentar os materiais comercializados”, afirmou.
A expectativa, segundo Patrício, é disseminar o conhecimento sobre o aplicativo junto a catadores e recicladores. “Nós queremos destacar os bons recicladores, que trabalham da forma correta, utilizando o aplicativo e registrando o material comercializado. A reciclagem é uma atividade nobre, que transformar e reinsere na cadeia produtiva materiais que seriam descartados e aterrados”, ressaltou.
Para o delegado Marcos Vinicius dos Santos, diretor da Polícia Civil da Grande Natal, a meta é cortar o vínculo entre os furtos e receptações. “Os furtos acontecem porque há quem receba esse material, então queremos quebrar essa cadeia trazendo aqueles que trabalham corretamente”, explicou.

A reunião contou com a participação de representantes do grupo Neoenergia Cosern e de empresas de telecomunicações do estado. O superintendente técnico do Neoenergia, Antônio Carlos Queiroz, afirmou que o momento é histórico para o estado. “Agradeço a participação das empresas e da Polícia Civil nessa iniciativa. Nosso interesse é colaborar com o trabalho para minimizar os impactos de furtos à rede elétrica e assegurar o fornecimento contínuo à população”, relatou.
“Em 2025, foram cerca de 2 mil ocorrências envolvendo redes elétricos do Neoenergia no Rio Grande do Norte, o que impactou por volta de 300 mil consumidores. É um número significativo e que impacta a economia, serviços públicos e a sociedade como um todo”, comentou Queiroz.