Desaceleração da produção industrial é sintoma de economia fragilizada, alerta CNI

5/02/2026   15h51

Dados do IBGE mostram avanço de apenas 0,6% em 2025 e escancaram os impactos de juros elevados, crédito mais restrito e desequilíbrio fiscal sobre a atividade industrial


Com avanço de apenas 0,6% em 2025, a indústria desacelera e acende o alerta: juros altos, crédito travado e gastos públicos pressionam a economia, avalia a CNI.
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Com avanço de apenas 0,6% em 2025, a indústria desacelera e acende o alerta: juros altos, crédito travado e gastos públicos pressionam a economia, avalia a CNI.   Foto: Shutterstock

A forte desaceleração da produção industrial, que cresceu 0,6% em 2025 ante alta de 3,1% em 2024, é sintoma de uma economia fragilizada. Os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatistica (IBGE), nesta terça-feira (3), refletem um ambiente marcado por juros altos, crédito restrito e gastos públicos em excesso, avalia a Confederação Nacional da Indústria (CNI).

 

 

“O país precisa reajustar a rota macroeconômica se quiser retomar um crescimento de forma sustentável, com criação de empregos e estabilidade fiscal. Caso contrário, o desempenho da indústria e dos demais motores da economia continuará oscilando, com anos muito positivos, tal como 2024, e outros bem abaixo do potencial”, afirma o presidente da CNI, Ricardo Alban.

 

 

O presidente da CNI ressalta que o crescimento da produção industrial no ano passado foi determinado pela indústria extrativa, uma vez que a indústria de transformação voltou a cair, após um ano bom em 2024.

 

 

Vale lembrar que, depois de crescer 10,7% em 2024, as concessões de crédito desaceleraram drasticamente em 2025, subindo apenas 3,8%. Sensível ao custo do capital, a indústria segurou investimentos e fechou 84,2 mil empregos somente no segundo semestre do ano passado.

 

 

“Os juros estratosféricos têm cobrado caro e, se isso não for revertido rapidamente, o quadro vai piorar em 2026″, alerta Alban. Segundo estimativas da CNI, as concessões de crédito crescerão apenas 3,2%, – desempenho ainda pior do que o observado no ano passado.

 

 

Do lado fiscal, os números também frustraram as expectativas. O déficit primário de R$ 61,7 bilhões e o crescimento real de 3,4% das despesas federais superaram as projeções da CNI, que previa déficit de R$ 54,2 bilhões e alta de 3,3% dos gastos, reforçando a trajetória de deterioração das contas públicas.

 

 

Para Alban, os dados reforçam a necessidade de priorizar o corte de gastos para ajustar as contas públicas, em vez da estratégia equivocada de sufocar o setor produtivo com o aumento de carga tributária. As expectativas para 2026, no entanto, vão na contramão. De acordo com as projeções da CNI, o déficit primário deve chegar a R$ 75,2 bilhões e as despesas federais podem subir 4,6%, elevando a dívida bruta em relação ao PIB de 78,9% para 82,4%.

Da Agência CNI de Notícias