
Amora Vieira, diretora dos Centros de Educação e Tecnologias do SENAI em Natal, destaca que o trabalho “tem que fazer sentido, tem que pulsar e trazer realização”
O Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial do Rio Grande do Norte encerrou 2025 com mais de 33 mil matrículas em cursos de formação para a indústria, número 20% maior que o registrado em 2024.
Em meio à expansão da qualificação profissional no estado e em alusão ao Dia Internacional da Mulher, celebrado neste domingo (8), mulheres que estão na gestão, nas salas de aula e nos laboratórios da instituição destacam como a participação feminina também ajuda a mover as engrenagens do setor.
Para a diretora dos Centros de Educação e Tecnologias do SENAI em Natal, Amora Vieira, “o olhar da mulher para a indústria é o olhar do compromisso. É entender o que a indústria necessita em formação de pessoas e soluções técnicas. É ter percepção de liderança, ter sensibilidade e firmeza para tomar decisões que façam sentido para a instituição, para o setor e para o desenvolvimento das pessoas”, afirma.
Administradora de formação, Amora destaca que o trabalho “tem que fazer sentido, tem que pulsar e trazer realização”. “Ir para campo, fazer processo seletivo, verificar a vontade de aprender… traz para mim desenvolvimento enquanto pessoa, enquanto profissional e mulher”, diz. “Então tem que pulsar, tem que fazer sentido enquanto pessoa e profissional”.
Sensibilidade

Caroliny Minely, instrutora do SENAI em Natal: “Tenho muitas alunas mulheres e consigo observar o interesse em crescer, em aprender que elas têm. Nunca é tarde para começar”
A engenheira e instrutora do Centro de Educação e Tecnologias Clóvis Motta (CETCM), do SENAI na capital, Caroliny Minely, analisa que a mulher agrega um olhar mais sensível à educação profissional.
“Como mulher, engenheira e instrutora, eu consigo trazer esse olhar mais sensível sobre as oportunidades e também sobre as dificuldades que cada aluno tem em sala de aula, de forma que todos possam ter oportunidade de ingressar na indústria”, afirma. “Tenho muitas alunas mulheres e consigo observar o interesse em crescer, em aprender que elas têm”, complementa, ressaltando que “nunca é tarde para começar”.
Ser uma mulher na indústria “é uma conquista não apenas pessoal, mas coletiva”, na visão da instrutora. “Porque eu consigo inspirar outras pessoas, consigo inspirar as mulheres a não desistirem dos seus sonhos, a serem porta-vozes, pontes, onde elas estiverem, tanto na indústria quanto no seio familiar e na comunidade onde elas vivem”.
No interior do estado, a instrutora Rossana Dantas, do Centro de Educação e Tecnologias Aluísio Bezerra (CETAB), do SENAI, em Santa Cruz, acompanha de perto como a educação profissional pode ampliar oportunidades para mulheres de diferentes idades.
“Hoje a gente vê não só jovens, mas também mulheres com 45, 50 anos ingressando na indústria. E aí você vê a inspiração que elas têm em chegar no mercado de trabalho, que antigamente a gente não tinha. A inspiração da mulher era ser dona de casa. Agora a gente vê essas mulheres ingressando na indústria.”

Rossana Dantas, instrutora do SENAI-RN em Santa Cruz: “Hoje a gente vê não só jovens, mas também mulheres com 45, 50 anos ingressando na indústria”
A instrutora destaca ainda o orgulho de acompanhar o desenvolvimento das estudantes — algumas delas seguindo carreira na própria instituição. “Tenho uma aluna que fez o processo seletivo para ser instrutora do SENAI e agora será minha colega”.
“O diferencial do olhar da mulher na indústria”, acrescenta ela, “é a sensibilidade de enxergar não apenas o lado profissional, mas também o lado humano das pessoas”.
Luana Karolayne Silva, aluna do curso Técnico em Administração e já formada em Climatização no SENAI, analisa que a presença feminina agrega novas perspectivas ao trabalho.
“Meu olhar feminino traz mais cuidado, organização, inovação e uma visão estratégica. Eu acredito que nós, mulheres, abrilhantamos processos e nos doamos por completo à missão que assumimos.”
Ser uma mulher na indústria, frisa ela, contribui para que também alcance crescimento pessoal. “Contribui na autoconfiança, na independência financeira e na inspiração para outras pessoas. Querendo ou não, você acaba virando referência”.

Luana Karolayne Silva, aluna do curso Técnico em Administração e já formada em Climatização no SENAI, analisa que a presença feminina agrega novas perspectivas ao trabalho
Ações do SENAI-RN para estimular a participação feminina em formações técnicas e na indústria têm focado em setores como energias renováveis, refrigeração e climatização e construção civil.
O desenvolvimento de projetos com empresas para impulsionar as mulheres em áreas onde os homens predominam foi intensificado na instituição a partir de 2021.
Como fruto desse trabalho, o SENAI recebeu o “Selo ODS Educação” em 2024 — um reconhecimento nacional público pela formação das primeiras mulheres especialistas técnicas do Rio Grande do Norte em operação e manutenção de parques eólicos. O projeto liderado pelo CTGAS-ER também foi reconhecido nacionalmente pelo SENAI como Boa Prática de Gestão Escolar.
Em 2025, um acordo de cooperação com a Vestas – empresa dinamarquesa, líder global em soluções de energia sustentável – também passou a ampliar perspectivas de educação, emprego e renda na região Nordeste do Brasil, incluindo as mulheres.
As ações são frutos de uma parceria inédita firmada, em 2024, entre o SENAI Nacional e a empresa, para o desenvolvimento de ações como a formação de novos técnicos e técnicas que atendam à demanda de empresas de energias renováveis e de outros setores da economia. As atividades tiveram início em 2024 no Rio Grande do Norte e, em 2025, foram expandidas para a Bahia.
Em ambos os estados, o curso técnico em Eletromecânica é oferecido de forma gratuita à população. No Rio Grande do Norte, a formação, iniciada em outubro de 2024, com previsão de conclusão em agosto de 2026, tem como foco o município de Lagoa Nova, a cerca de 200 km da capital, Natal. O programa inclui 1.440 horas de estudos, com teoria em sala de aula e práticas em laboratórios, como o primeiro Centro de Excelência em Formação Profissional do Brasil em hidrogênio verde, parte da infraestrutura do CTGAS-ER, em Natal.
Como estímulo à igualdade de gênero e à participação feminina na educação profissional e em oportunidades de trabalho na indústria eólica – em que homens tradicionalmente predominam – metade das vagas foi destinada a mulheres.
Também em parceria com a Vestas, em novembro de 2025 o SENAI-RN lançou a revista em quadrinhos Anê e o Vento, para incentivar a participação de meninas em áreas tecnológicas e no setor de energia eólica.
A revista, disponível para download gratuito no site da Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte (clique aqui para acessar, no endereço fiern.org.br), conta a história de Anê, uma adolescente de 14 anos que, em meio a reflexões sobre que profissão escolher, começa a enxergar possibilidades de qualificação e trabalho, onde vive, voltadas ao setor eólico.
A revista tem ideia original, coordenação e edição da jornalista e assessora de comunicação do SENAI-RN nas áreas de energia e sustentabilidade, Renata Moura.
O trabalho foi desenvolvido em parceria com o premiado cartunista Rodrigo Brum (roteiro, edição, cores e diagramação), com participação de Jeff Portela (capa e ilustrações) e Wanderline Freitas (ilustrações).
Primeiro da rede SENAI, no Brasil, a se tornar signatário do Pacto Global de Direitos Humanos, Trabalho, Meio Ambiente e Anticorrupção da Organização das Nações Unidas (ONU), o SENAI do Rio Grande do Norte tem atuação alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), que buscam, de forma geral, acabar com a pobreza, reduzir desigualdades, fomentar a educação de qualidade e combater as mudanças climáticas no mundo.
Esta matéria integra uma série especial do Sistema FIERN em alusão ao Dia Internacional da Mulher, celebrado neste domingo (8), que destaca a atuação feminina na indústria potiguar.