Estudos do ISI-ER ganham reconhecimento em publicações técnicas do governo federal

23/03/2026   12h19

A planta-piloto inaugurada em 2023 no Instituto SENAI de Inovação em Energias Renováveis é citada no “Radar Tecnológico – Combustíveis Sustentáveis de Aviação (SAF)”, do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) | Foto: Renata Moura

 

Estudos do Instituto SENAI de Inovação em Energias Renováveis (ISI-ER), no Rio Grande do Norte, foram reconhecidos como referência em publicações técnicas nacionais vinculadas ao governo federal, nas áreas de combustíveis sustentáveis de aviação (SAF) e hidrogênio verde.

 

As pesquisas são citadas no “Radar Tecnológico – Combustíveis Sustentáveis de Aviação (SAF): pedidos de patente no Brasil e no mundo”, do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), e no “Roadmap Tecnológico de Hidrogênio”, da Empresa de Pesquisa Energética (EPE).

 

“São registros que ratificam a característica de aplicação das atividades do SENAI, a sua entrega de soluções para o desenvolvimento econômico”, afirma o diretor do SENAI-RN e do ISI-ER, Rodrigo Mello. “Existe um ecossistema de instituições que contribui para o desenvolvimento da política setorial de energia no Brasil, e sermos citados nesse contexto reforça a relevância do trabalho que realizamos para o país”, acrescenta.

 

No documento do INPI, que tem como objetivo fomentar a cooperação em ciência, tecnologia e inovação entre academia, indústria e governo, o destaque é para a planta-piloto instalada no Hub de Inovação e Tecnologia (HIT) do SENAI-RN, voltada à produção de SAF a partir da glicerina – um coproduto da indústria de biodiesel.

 

A planta-piloto foi inaugurada em 2023 no Instituto SENAI de Inovação em Energias Renováveis, sediado no HIT. A pesquisadora do ISI-ER e coordenadora do projeto, Fabíola Correia, explica que a iniciativa, desenvolvida em parceria com a Cooperação Técnica Alemã (GIZ), demonstrou a viabilidade técnica da conversão da glicerina em combustível sustentável de aviação, agregando valor a resíduos e promovendo a economia circular.

 

“O projeto avançou na validação da rota Fischer-Tropsch, certificada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), com a obtenção de frações de hidrocarbonetos na faixa de querosene de aviação”, complementa Correia.

 

Fabíola Correia, pesquisadora do ISI-ER: Resultados fundamentais para posicionar o Brasil de forma mais competitiva em um cenário global altamente dinâmico, no qual os combustíveis sustentáveis desempenham papel central na descarbonização do setor aéreo e na transição energética | Foto: Renata Moura

 

O estudo, intitulado “Geração de combustíveis sintéticos de aviação a partir da glicerina oriunda da produção de biodiesel”, pode ser acessado no link: https://ptx-hub.org/pt-br/cooperacao-alema-fomenta-producao-de-saf-no-nordeste-do-brasil/.

 

“Esses resultados são fundamentais para posicionar o Brasil de forma mais competitiva em um cenário global altamente dinâmico, no qual os combustíveis sustentáveis desempenham papel central na descarbonização do setor aéreo e na transição energética. Além disso, evidenciam o potencial do país em transformar sua abundância de biomassa e sua experiência em biocombustíveis em soluções inovadoras de alto valor agregado”, analisa Fabiola Correia.

 

Ela observa que, ao ser contemplado em análises oficiais, o trabalho do ISI-ER contribui diretamente para a formulação de políticas públicas, o direcionamento de investimentos em Pesquisa & Desenvolvimento (P&D) e a construção de estratégias nacionais voltadas à bioeconomia e à sustentabilidade.

 

“Trata-se de um reconhecimento que reforça o papel da ciência e da inovação brasileiras como pilares essenciais para o desenvolvimento econômico e ambiental do país”, afirma. “E ter a planta-piloto citada como referência reforça a relevância científica e estratégica das pesquisas conduzidas pelo ISI-ER.”

Hidrogênio

Já no caso do hidrogênio, o Roadmap da EPE menciona o estudo “Cenários de produção, custos e missões de hidrogênio verde e azul: horizonte até 2050 no Brasil”, desenvolvido pelo ISI-ER, com financiamento do Projeto H2Brasil e coordenação da consultoria internacional Niras. O H2Brasil integra a cooperação entre os governos do Brasil e da Alemanha para o Desenvolvimento Sustentável e é implementado pela GIZ e pelo Ministério de Minas e Energia (MME), financiado pelo Ministério Federal da Cooperação Econômica e do Desenvolvimento (BMZ) da Alemanha.

 

O estudo realizado pelo Instituto SENAI, disponível no site do Ministério de Minas e Energia (https://www.gov.br/mme/pt-br/assuntos/secretarias/sntep/h2-brasil/publicacoes) traz cenários de custo de produção de hidrogênio e de aplicação em cadeias industriais no Brasil.

 

Segundo o pesquisador do ISI-ER, Raniere Rodrigues, a presença do trabalho na publicação reforça a importância da produção de conhecimento técnico para subsidiar decisões estratégicas no setor energético.

 

“A EPE atua como planejadora energética nacional, responsável por indicar como o sistema elétrico brasileiro deve se comportar no curto, médio e longo prazo. Quando incorpora o hidrogênio como vetor energético em seus estudos, contribui para reduzir a assimetria de informações e orientar decisões públicas e privadas. Ter nosso trabalho citado nesse contexto mostra que estamos oferecendo dados relevantes e confiáveis, capazes de apoiar o planejamento e a introdução do hidrogênio nas cadeias produtivas do país”, afirma.

 

“Ser ouvido pelo planejador energético, enquanto instituição que fornece informações para a sociedade sobre a viabilidade e a possibilidade de utilização do hidrogênio no contexto brasileiro, é importante. Ou seja, o planejador passa a incorporar essas informações em suas percepções e no seu planejamento, enxergando esse estudo como uma fonte confiável e segura”, diz Rodrigues.

 

Raniere Rodrigues, pesquisador do ISI-ER, destaca que presença de estudo sobre hidrogênio em publicação da EPE reforça a importância da produção de conhecimento técnico para subsidiar decisões estratégicas no setor energético | Foto: Divulgação

 

SOBRE O ISI-ER

O Instituto SENAI de Inovação em Energias Renováveis (ISI-ER) é a principal referência do SENAI no Brasil em Pesquisa Aplicada, Desenvolvimento & Inovação para indústrias de energias renováveis e, no Nordeste brasileiro, também lidera iniciativas da instituição para soluções de sustentabilidade voltadas à transição energética.

 

Inaugurado oficialmente em 2021, no Rio Grande do Norte, o Instituto é parte da maior rede de ciência e tecnologia para o setor industrial no país – composta por 28 Institutos SENAI de Inovação (ISIs).

 

A equipe é formada por mestres, doutores e técnicos em áreas como engenharia (mecânica, civil, elétrica, química e naval), meteorologia, oceanografia, geografia e tecnologia da informação.

 

O portfólio abrange estudos, tecnologias e marcos inéditos nacionalmente, como a primeira planta-piloto offshore do Brasil a receber licença prévia do Ibama.

 

A atuação, hoje, envolve oito áreas estratégicas: Energia eólica, Energia solar, Sustentabilidade, Hidrogênio, Combustíveis avançados, Economia azul, Meio Ambiente e Geointeligência.

 

Texto: Renata Moura