Iniciativa apresenta 5 eixos estratégicos e propõe união entre setor produtivo e poder público para melhorar o ambiente de investimento no país

Foto: Gilberto Sousa/CNI
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) lançou, nesta terça-feira (24), o Projeto para o Brasil 2050, que prevê uma construção de longo prazo liderada pelo setor produtivo em prol do crescimento econômico e social do país. A CNI propõe um compromisso que envolva todos os poderes constituídos, empresários e trabalhadores, com o objetivo de buscar consenso em torno de metas fiscais e de políticas econômicas estruturantes, que garantam investimentos e o crescimento econômico.
A iniciativa reúne uma série de propostas para o país crescer, por meio do fortalecimento do equilíbrio fiscal e de vantagens competitivas, da melhora do ambiente de negócios, além do fomento a iniciativas que o Brasil tem potencial, como a economia circular, o desenvolvimento de data-centers e de combustíveis sustentáveis.
O Brasil 2050 foi apresentado na Câmara dos Deputados, durante o lançamento da Agenda Legislativa da Indústria 2026. “Estamos propondo uma reflexão sobre o futuro que queremos, com ações efetivas e a construção de um pacto que envolva o setor produtivo, o poder público e a sociedade em torno de um plano de longo prazo em favor do desenvolvimento do país nos próximos anos”, destacou o presidente da CNI, Ricardo Alban.
1. Fortalecimento do equilíbrio fiscal
Prevê ajustes para reduzir despesas e ampliar receitas com foco em isonomia, contribuindo para um ambiente de juros mais baixos e maior previsibilidade econômica.
2. Fortalecimento de vantagens competitivas
Prioriza a descarbonização das cadeias produtivas e a transição ecológica, com aproveitamento do potencial da biodiversidade e dos biocombustíveis.
3. Fomento a novos potenciais
Incentiva o desenvolvimento de inteligência artificial, infraestrutura de data centers e economia circular, alinhando a indústria às novas dinâmicas tecnológicas.
4. Promoção de viabilizadores estratégicos
Abrange medidas para reduzir barreiras comerciais, ampliar a inserção em cadeias globais de valor e fortalecer investimentos em letramento digital e infraestrutura.
5. Melhoria do ambiente de negócios
Foca na desburocratização, modernização das relações de trabalho, segurança jurídica e eficiência logística para atrair investimentos de longo prazo.
Sob o lema “Segurança para investir. Estabilidade para crescer”, o projeto surge em um contexto em que a indústria aponta a necessidade de um direcionamento claro e coordenado entre os setores público e privado, sob o risco de o país perder avanços recentes e enfrentar novos períodos de instabilidade econômica.
“Os desafios que se acumulam na economia brasileira – fiscais, sociais e produtivos – não são novidade. Mas a complexidade do presente exige mais do que diagnósticos conhecidos: urge uma ação coordenada, espírito público e visão de futuro. O tempo das soluções improvisadas ficou para trás. Se quisermos um amanhã mais próspero, é preciso construí-lo a partir de um presente sólido, ancorado numa economia forte, moderna e inclusiva”, afirmou o presidente da CNI.
Estimativas da CNI indicam que a adoção de medidas estruturais de redução de despesas previstas no projeto pode gerar economia adicional de R$ 38,3 bilhões já em 2026, chegando a R$ 47,1 bilhões em 2027. O ajuste é considerado essencial para abrir espaço no orçamento federal e viabilizar a redução sustentável dos juros reais.
O Projeto para o Brasil 2050 reúne 50 propostas organizadas em cinco eixos, com foco na transformação da base econômica brasileira até meados do século.
O presidente da CNI, Ricardo Alban, explica mais sobre o Projeto:
Conheça as 50 propostas do Projeto para o Brasil 2050
FORTALECIMENTO DO EQUILÍBRIO FISCAL
1. Redução de despesas do governo federal
2. Aumento de receitas do governo federal
3. Condições para a redução dos juros reais
FORTALECIMENTO DE VANTAGENS COMPETITIVAS
4. Promoção de combustíveis do futuro
5. Financiamento de projetos de descarbonização em cadeias produtivas
6. Promoção de modelos financeiros para estimular a agricultura sustentável
7. Promover a transição ecológica na indústria
8. Aproveitamento da biodiversidade brasileira
9. Integração lavoura-pecuária-indústria
10. Promover programa de renovação e difusão tecnológica na indústria (PRDTI)
11. Incentivar o desenvolvimento de cadeias de bioenergia para capitalizar vocações regionais
FOMENTO A NOVOS POTENCIAIS
12. Desenvolvimento de IA e infraestrutura de data centers
13. Estabelecimento do sistema brasileiro de comércio de emissões (SBCE)
14. Promoção da economia circular
15. Promoção da transformação digital na indústria
16. Desenvolvimento do mercado de armazenamento de energia
17. Combustíveis sustentáveis para navegação marítima e transporte aéreo
PROMOÇÃO DE VIABILIZADORES ESTRATÉGICOS
18. Mitigação de medidas restritivas que afetam exportações brasileiras
19. Acesso a mercados
20. Promoção comercial
21. Implementar programa massivo de letramento digital
22.Planejamento de infraestrutura de resiliência
23. Fundo garantidor para financiamento de investimentos em infraestrutura
24. Tornar lei a política industrial, sua governança e instrumentos
25. Aprimorar o sistema nacional de contratações públicas para impulsionar a competitividade industrial
26. Promover transparência e segurança jurídica à execução da política industrial e de inovação
27. Fomento a projetos de eficiência energética
28. Incentivar a descarbonização de processos industriais eletrificáveis
29. Modernizar a lei do bem
30. Simplificar e desburocratizar acesso a incentivos com foco na indústria
31. Promover divulgação tempestiva de incentivos à indústria
MELHORIA DO AMBIENTE DE NEGÓCIOS
32. Promoção comercial
33. Desburocratização e facilitação do comércio exterior
34. Simplificação do uso dos regimes aduaneiros especiais
35. Modernização da logística do comércio exterior
36. Governança e monitoramento das políticas de comércio exterior
37. Fortalecimento dos mecanismos de defesa comercial
38. Promover a concorrência justa com combate ao Brasil ilegal
39. Formação e capacitação
40. Realizar uma reforma administrativa
41. Fortalecimento das agências reguladoras
42. Fomento à elaboração de inventários de carbono pelas empresas
43. Promoção da segurança jurídica
44. Aprimoramento de políticas públicas da pessoa com deficiência e do menor aprendiz
45. Continuidade da modernização das relações do trabalho
46. Harmonização da legislação trabalhista e previdenciária
47. Continuação da revisão e modernização das normas regulamentadoras (NRs) de segurança e saúde no trabalho (SST)
48. Infraestrutura e logística
49. Relações internacionais – inserção competitiva e diplomacia econômica
50. Regulamentação da reforma tributária
Agência de Notícias da Indústria