Em evento do MDIC, diretora do SENAI Natal discute liderança feminina e desafios da indústria da moda

26/03/2026   14h46

A diretora destacou iniciativas desenvolvidas pelo SENAI do Rio Grande do Norte em parceria com empresas, como o projeto Tecendo Caminhos, realizado com o Sindicato das Indústrias de Fiação e Tecelagem do RN (SIFT-RN) e a Vicunha Têxtil, e o Trilhando com Fios, em parceria com a Guararapes Confecções

 

A diretora do SENAI em Natal, Amora Vieira, participou na terça-feira (24), em Brasília, da mesa de debate Mulheres na Moda: Moda 5.0 – A liderança feminina na construção de uma indústria brasileira sustentável, tecnológica e exportadora, promovida pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

 

O evento foi realizado na sede do Ministério e reuniu cerca de 30 representantes de empresas, instituições de ensino, órgãos governamentais e entidades de classe com atuação nacional para discutir o cenário do setor. A qualificação profissional foi apontada como um dos principais desafios.

 

“Há dificuldades na formação de mão de obra. A costura ainda concentra a maior demanda das indústrias, mas também existe necessidade de qualificação para outras ocupações”, afirmou Amora Vieira.

 

Ela destacou iniciativas desenvolvidas pelo SENAI do Rio Grande do Norte em parceria com empresas, como o projeto Tecendo Caminhos, realizado com o Sindicato das Indústrias de Fiação e Tecelagem do RN (SIFT-RN) e a Vicunha Têxtil, voltado à formação de tecelões de tecido plano, e o Trilhando com Fios, em parceria com a Guararapes Confecções, para capacitação em costura industrial.

 

Segundo a diretora, estratégias de aproximação com o público foram necessárias para ampliar o alcance das formações. “Tivemos que ir para dentro da indústria e para as regiões do entorno, para mostrar a mulheres e homens que existiam oportunidades de qualificação”, disse.

 

Amora também citou a formação de costureiras na região do Seridó, dentro do Pró-Sertão, e o Programa de Capacitação Profissional para Oficinas de Costura – Projeto Rota Impulsiona Moda, lançado pela Federação das Indústrias do RN (FIERN) e pelo SENAI, em parceria com o Sebrae-RN, com recursos viabilizados por emenda parlamentar do senador Rogério Marinho.

 

“É uma oportunidade de formar profissionais e aprimorar os processos produtivos das oficinas que já existem no estado”, disse a diretora. O programa tem o objetivo de fortalecer a cadeia produtiva têxtil e de confecção no estado.

 

Durante o debate, também foram levantadas questões como a busca por uma identidade para a moda brasileira, a partir de referências internacionais, como a Dinamarca, associada à sustentabilidade, e a Itália, ao segmento de luxo.

 

A sustentabilidade também entrou na pauta, com menção a projeto para o desenvolvimento de materiais a partir de resíduos da indústria da moda, com foco em soluções mais sustentáveis para o descarte.

 

Além disso, a concorrência internacional, especialmente com países asiáticos, foi destacada como desafio. Diante da dificuldade de competir em preço, representantes do setor apontaram a necessidade de investir em diferenciação, qualidade e identidade como estratégias para o fortalecimento da indústria brasileira.

 

O encontro foi avaliado por Vieira como espaço importante de articulação entre diferentes atores da cadeia produtiva, reunindo visões complementares sobre os desafios e caminhos para o setor no país. “A mesa estava muito bem representada por vários segmentos, com reflexões colocadas em pauta de forma muito relevante”, disse.

 

Políticas

 

A qualificação profissional foi apontada como um dos principais desafios para o setor, durante o encontro realizado na sede do Ministério

 

A Mesa de Debates Mulheres na Moda é promovida pelo MDIC desde 2023, com o objetivo de implementar políticas públicas integradas para a construção e a promoção da diversidade, e buscando integrar pauta das mulheres às políticas do ministério.

 

Na abertura do Encontro desta semana, a secretária-executiva adjunta do MDIC, Aline Damasceno, destacou a diversidade de setores envolvidos na discussão. “Começamos os debates abordando Mulheres no Empreendedorismo Feminino, de onde saiu a estratégia nacional do Elas Empreendem”, comentou.

 

Aline destacou ainda temas como comércio exterior, regulação e economia circular, ocasião em que as mulheres contribuíram na elaboração da Estratégia Nacional de Economia Circular.

 

“Então, de tempos em tempos, tentamos trazer vocês para debaterem, para se conhecerem, para nos subsidiarem, para que a gente consiga criar políticas e estratégias que atendam as necessidades de vocês”, concluiu.

 

Também presente ao debate, a diretora do Departamento de Promoção das Exportações e Facilitação do Comércio, Janaína Silva, destacou o aproveitamento de competências ou diferenciais de mulheres no comércio Exterior.

 

“É claro que queremos saber também quais são os desafios e como conseguimos ajudar. Mas para isso é importante a gente conhecer quais são esses potenciais que podem ser alavancados. E por isso a importância de ouvi-las também, sobre a moda como exportação de serviços,” ressaltou.

 

A secretária de Economia Verde, Julia Cruz, abordou o potencial da dessa área, do ponto de vista da sustentabilidade. “A sustentabilidade é uma das dimensões da Nova Indústria Brasil, que é um dos focos aqui do ministro para a neoindustrialização do Brasil, a partir da perspectiva do que é a indústria no século 21. Quando a gente traz isso para o setor da moda, tem uma série de implicações, mas tem uma que é muito clara quando a gente fala da demanda do mercado consumidor, que é a circularidade”.

 

Na conclusão da mesa, a diretora do Departamento de Comércio e Serviços, Adriana Azevedo, destacou mais uma vertente da Nova Indústria Brasil (NIB) – política industrial lançada pelo governo federal em janeiro de 2024 – que busca destravar investimentos na indústria brasileira, além de motivar a inovar.

 

“Nessa linha, estamos buscando orientar a área de comércio e serviços em bases sustentáveis e mais tecnológicas. Diante disso, nosso desafio foi tentar unir essa pauta com a diretriz de gênero. E disso surgiu um programa chamado Empreendedoras Tech. Esse programa traz algumas semelhanças com o que nós estamos discutindo aqui, focando no desenvolvimento de soluções inovadoras por mulheres”, disse.

 

Além do SENAI-RN, estiveram presentes representantes do setor público, como o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC); a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI); o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae); o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR); o Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte (MEMP); o Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável da Secretaria de Relações Institucionais (CDESS/SRI); e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil).

Também participaram representantes do setor privado e de organizações da sociedade civil, como a Associação Brasileira das Indústrias de Fibras Artificiais e Sintéticas (Abrafas); o Instituto Brasil Eco Fashion – Moda, Educação e Inovação para Sustentabilidade; a Associação Brasileira do Varejo Têxtil (ABVTEX); a Associação Brasileira de Estilistas (ABEST); a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (ABIT); a Caroline Moraes Concept; o Sistema B Brasil; a Confecções T. Christina; a Associação Aliança Empreendedora; a Texgenera; a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Vestuário da CUT (CNTRV-CUT); a Eurofios; a Agroindústria A.X.S. & Gonzagas Ltda; a SCMC; o Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (CICB); a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados); a IZCA; o Instituto IARA; a Lunelli; o Rio Fashion Week; a Cotton Move; o Movimento Eu Visto o Bem; o Grupo Azzas 2154; a Da Tribu; e a Comunicação EGS.

 

O evento reuniu cerca de 30 representantes de empresas, instituições de ensino, órgãos governamentais e entidades de classe com atuação nacional para discutir o cenário do setor

 

Texto: Renata Moura, com informações do MDIC

Fotos: Júlio César Silva/MDIC