
Foto: Shirley Melo/FIERN
A Educação 5.0 tem o desafio de humanizar as tecnologias, com qualidade, equidade e desenvolvimento socioemocional. Essa foi uma das mensagens da professora Débora Garofalo, palestrante desta edição do Motores do Desenvolvimento nesta terça-feira (31). “Os meninos e meninas precisam disso, porque, além de educação em tempo integral, estamos falando de uma educação de valores integrais. O sujeito é único e, por isso, deve aprender não só cognitivamente. Ele forma-se como cidadão na escola”, destacou Débora Garofalo.
A palestrante foi a primeira sul-americana a ser finalista no Global Teacher Prize, considerado o Nobel da Educação. O reconhecimento global foi pela idealização e implementação do projeto “Robótica com Sucata”, uma iniciativa que transcendeu as salas de aula e hoje é reconhecida como política pública nacional, democratizando o acesso à tecnologia e à cultura maker. Além disso, ela foi eleita, neste ano, pela instituição Varkey Foundation como “a professora mais influente do mundo”.
Durante a palestra, Débora Garofalo descreveu as diversas transformações pelas quais passou a educação. Na Educação 1.0, professor era um mero transmissor de conhecimento, a 2.0 foi marcada pelas tarefas repetitivas; a 3.0, pelo início do uso das tecnologias pelos educadores e na qual emergiu alguma criatividade. Mais recentemente, a educação 4.0 se caracterizou por professores mediadores e alunos protagonistas, cultura maker e metodologias ativas. A 5.0 avançou ainda mais, segundo a professora, ao levar em consideração aspectos socioemocionais.
Ela citou dados que mostram a necessidade de ampliar o uso de meios digitais e tecnologias pelos jovens, com orientação e formação. Segundo a professora, 73% dos alunos do ensino público não têm acesso à internet em casa. Ao mesmo tempo, 84% das secretarias municipais de educação não têm orçamento para tecnologia.
Apesar dos números preocupantes, há dados que mostram alguma evolução: 96% das escolas brasileiras têm internet e 62% dos professores usam alguma tecnologia em sala de aula.
A professora apontou que é relevante uma mudança no modelo tradicional de ensino, com foco em práticas mais dinâmicas e conectadas à realidade dos estudantes. “Quando a gente trabalha uma educação que é mão na massa, por si só a gente já está ressignificando a educação”, afirmou. Segundo ela, o uso de metodologias ativas e da resolução de problemas ajuda o aluno a compreender melhor os conteúdos e a aplicar o conhecimento na prática.
A professora também ressaltou que a inovação educacional tem impacto direto na redução das desigualdades sociais. “A partir do momento que a gente universaliza esse currículo e traz a inovação para dentro da sala de aula, a gente tem a oportunidade de ressignificar esses aspectos da sociedade”, disse.
Esta edição do Motores do RN é realizada pelo SESI-RN, Sistema Tribuna e Jovem Pan News, em parceria com o Sebrae e Fecomércio, com apoio da FIERN, Assembleia Legislativa do RN, ExpoEduc, Prefeitura de Natal e Universidade Potiguar.