Empresas mineradoras com investimentos de cerca de R$ 2 bilhões no Rio Grande do Norte estão em processo de licenciamento ambiental para ampliar e iniciar operações. A situação foi constatada pela Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte (FIERN) durante visita às mineradoras Aura Borborema, em Currais Novos, e Fomento do Brasil, em Tangará, nesta quarta-feira (1º).
Na Aura, foram apresentadas as operações na cava principal de mineração, as etapas de beneficiamento e a estação de tratamento de efluentes, que recebe mais de 60% dos resíduos líquidos da cidade de Currais Novos para. Já na Fomento do Brasil, a equipe da empresa apresentou o Projeto Ferro Potiguar, que engloba diversos depósitos minerais de ferro em fase de exploração mineral, licenciamento ambiental e estudos de engenharia.
“Durante visitas às mineradoras, ambas com grande potencial de produção e geração de renda e empregos no estado, ficou evidente o interesse concreto do setor privado em investir e promover o desenvolvimento econômico. Por outro lado, as duas empresas relataram entraves relacionados à morosidade no licenciamento ambiental”, destaca Roberto Serquiz, presidente da FIERN.
Ele aponta que “no caso da Fomento, especificamente, após cerca de um ano de espera pela análise inicial e resposta célere às exigências do órgão licenciador, a empresa ainda aguarda a emissão da licença prévia, o que compromete o avanço do projeto e o início das operações previsto para este ano.”
De acordo com o presidente da FIERN, esse tipo de situação gera preocupação, pois revela um descompasso entre o potencial econômico do estado e a capacidade de resposta dos processos necessários para viabilizá-lo, colocando em risco oportunidades relevantes de geração de emprego e renda. “Nesse contexto, a aproximação com os empreendedores mostra-se fundamental, não apenas para compreender com maior precisão os desafios enfrentados, mas também para identificar de que forma, enquanto instituição, é possível atuar de maneira mais efetiva na promoção do desenvolvimento econômico do estado”, conclui Serquiz.
O diretor de Operações da Aura Borborema, Fred Silva, ressaltou que o grande gargalo da empresa é o licenciamento de praças de extração. “O RN tem todo potencial para ser um estado minerador, mas é preciso torná-lo atrativo para investimentos. Isso porque a mineração não inicia com grandes empresas, mas com pequenos empreendedores que realizam pesquisas e sondagens que mapeiam cada local. O custo e a demora nos licenciamentos e autorização inviabilizam as atividades desses pequenos empreendimentos”, pontua.
Ele agradeceu a visita e disse que é uma oportunidade para fortalecer ainda mais a indústria mineradora no estado. “Pudemos mostrar um pouco como funcionam nossos processos, também os investimentos já feitos e que queremos seguir fazendo no estado e vamos contar muito com essa parceria com a FIERN para fortalecer nossa presença no RN”, frisa Fred Silva.
Cláudio Menezes, diretor de Projetos da Fomento do Brasil, também destacou a importância do diálogo institucional junto à FIERN. “A empresa já atua no estado há mais de dez anos, fazendo diversos estudos preliminares e diligências para efetivar o projeto, que está em iminência de implantação. Isso vai colocar o Rio Grande do Norte num outro patamar de arrecadação e de movimentação econômica, além de ser considerado um expoente industrial de mineração no país.”
Os presidentes do Sindicato da Indústria da Extração de Metais Básicos e de Minerais Não-Metálicos do RN (SINDMINERAIS-RN), Mário Tavares, e do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico do RN (SIMETAL-RN), Francisco Vilmar Pereira Segundo, também participaram das visitas. Ainda compuseram o grupo, o industrial Edgar Salustino, vice-presidente do SINDMINERAIS-RN, e a coordenadora executiva de Relações Institucionais e com o Mercado da FIERN, Ana Adalgisa Dias.
Potencial minerador
Com os investimentos da Aura e da Fomento, o Rio Grande do Norte desponta como um estado minerador. A atividade, já tradicional no RN, ganha novas forças para gerar empregos, renda e arrecadação para o estado.
A Aura Borborema, que iniciou as operações em 2023 e em menos de dois anos conseguiu consolidar uma operação para além do planejado, pretende dobrar o tamanho das atividades até 2028. Os investimentos para implantação da operação giraram em torno de R$ 1 bilhão, além de R$ 458 milhões por ano de compras e serviços. Com a expansão, a expectativa é movimentar mais de R$ 900 milhões por ano na economia potiguar.
Já a Fomento do Brasil, com o Projeto Ferro Potiguar, fará um investimento de cerca de R$ 2 bilhões. O empreendimento terá extrações nos municípios de Serra Caiada, Sítio Novo, Senador Elói de Souza e Lagoa de Velhos, com exportação pelo terminal NAT01 do Porto de Natal, arrematado pela empresa para escoamento da produção do minério de ferro.