
Durante a 45ª edição do Motores do Desenvolvimento, realizada nesta terça-feira (31), na Casa da Indústria, em Natal, a especialista em políticas públicas educacionais Claudia Costin destacou a importância da educação como eixo estratégico para o desenvolvimento econômico e social. Em palestra com o tema “Transformações Econômicas através da Educação – Cases do Cenário Global”, ela apresentou reflexões e exemplos internacionais sobre como o investimento em educação impacta diretamente o crescimento dos países.
Economista, professora e referência internacional na área, Costin já foi diretora global de Educação do Banco Mundial e atualmente preside o Instituto Salto. Ao longo da apresentação, reforçou a necessidade de garantir uma educação inclusiva e equitativa, com políticas voltadas especialmente para estudantes em situação de vulnerabilidade.
“As melhores escolas deveriam estar nas áreas de vulnerabilidade. A escola tem que dar mais para quem tem menos. É importante que tenhamos uma política educacional que dê mais para quem tem menos”, afirmou. Segundo ela, a aprendizagem depende de fatores fundamentais como o ambiente familiar e a qualidade da escola. “O que assegura aprendizagem é a família e a escola. O fator mais importante na escola é a qualidade do professor e do suporte que ele recebe da política educacional”, destacou.
Outro ponto abordado foi a ampliação da jornada escolar. Para a especialista, o Brasil precisa avançar na implementação do ensino em tempo integral. “Nós somos o único país de mesmo nível de desenvolvimento que só tem quatro horas de aula”, pontuou.
Ao tratar das transformações tecnológicas, Costin alertou para a necessidade de preparar os estudantes para um cenário em constante mudança, impulsionado pela inovação e pela inteligência artificial. “Se não formarmos as pessoas para essa realidade, vamos ter uma série de problemas. Teremos que nos reinventar profissionalmente muitas vezes ao longo da nossa vida laboral”, afirmou.
A especialista também defendeu a evolução do modelo educacional, com foco no desenvolvimento da autonomia, do pensamento crítico e da aprendizagem contínua. Para ela, uma escola ideal é aquela em que todos aprendem, com colaboração entre alunos e professores, valorização dos profissionais da educação e estímulo a competências essenciais para o futuro.
“O grande desafio é garantir que todos aprendam. Nós não ensinamos de forma a que todos aprendam. Por isso, a palavra equidade é tão importante, porque precisamos dar suportes adicionais a quem precisa”, concluiu.