
Foto: Bárbara Barbalho/FIERN
Resoluções estratégicas para o desenvolvimento de tecnologias sustentáveis e infraestruturas inovadoras no Rio Grande do Norte foram tema da reunião da Comissão Temática de Energias Renováveis (COERE) da Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte (FIERN), nesta quinta-feira (26). O diretor técnico do Instituto de Desenvolvimento Econômico e Meio Ambiente (Idema), Thales Dantas, atualizou os conselheiros sobre a tramitação de normas regulatórias de hidrogênio verde, sistemas de armazenamento de energia em baterias (BESS) e data centers verdes.
A resolução de Hidrogênio Verde foi aprovada na última reunião do Conselho Estadual de Meio Ambiente (Conema), entidade responsável pela gestão da política ambiental do Rio Grande do Norte. A minuta de resolução sobre os BESS está em fase final de apreciação pelo Conema e deve ser apreciada no próximo encontro, em 14 de abril. Já a resolução sobre os Data Centers Verdes está em tramitação técnica no Idema.

Foto: Bárbara Barbalho/FIERN
“Estamos passando por uma modernização nas normas ambientais. Publicamos nos últimos meses diversas orientações técnicas para balizar o trabalho técnico de licenciamento de empreendimentos. Mas as resoluções são fundamentais para garantir a segurança jurídica desses processos”, enfatizou Dantas.
O diretor geral do Idema, Werner Farkatt, também participou da reunião e ressaltou a importância das contribuições da FIERN na atualização das normas. “Por mais que tenhamos boa vontade para fazer o Estado evoluir e avançar, temos limitações que impedem a atuação do órgão nessas áreas.”

Foto: Bárbara Barbalho/FIERN
“Conseguimos aprovar a resolução de Hidrogênio Verde e, na semana seguinte, emitimos a primeira licencia prévia nessa seara. Sem o empresariado, sem a iniciativa privada, não conseguiremos alcançar o objetivo de fazer nosso estado avançar”, frisou Farkatt.
Para o presidente da COERE/FIERN, o industrial Sérgio Azevedo, a aprovação das normas é essencial para atrair investimentos que aproveitem a geração de energia renovável do estado. “O curtailment tem prejudicado de forma severa as empresas que acreditaram e investiram no Rio Grande do Norte. A alternativa para reverter esse cenário é melhorar nossa capacidade de transmissão e atrair formas de armazenamento da energia gerada”, afirmou.

Foto: Bárbara Barbalho/FIERN
“Ao viabilizarmos empreendimentos como data centers, aproveitamos, dentro do próprio estado, as condições para aproveitar a geração de energia renovável. Precisamos, portanto, criar as melhores condições regulatórias para atrair os investimentos desses equipamentos. Essa oportunidade envolve principalmente a indústria, que vai gerar mais empregos de qualidade, mas acima de tudo para a economia do nosso estado”, completou o presidente da COERE.
O secretário executivo das Comissões Temáticas da FIERN, Ernani Bandeira, detalhou o plano de atividades da COERE, em 2026. Entre os temas de discussão previstos para o ano, estão Infraestrutura, transmissão e flexibilidade, Inteligência energética e planejamento, Novos usos da energia e industrialização e Regulação, mercado e governança.
ICER
O economista do Observatório da Indústria Mais RN, João Lucas Dias, atualizou os dados do Índice de Confiança das Energias Renováveis (ICER), termômetro da confiança do setor no estado. A última sondagem registrou alta no índice de confiança, com 55,9 pontos, após uma série de quedas na confiança.

Foto: Bárbara Barbalho/FIERN
“O setor da energia sempre foi muito mais confiante do que o setor da indústria no geral, mas a cada sondagem do ICER percebemos uma aproximação entre os dois indicadores”, explicou Dias. “As energias renováveis não estão em queda, mas em uma transição para uma fase de maturidade, com o crescimento mais lento, após um ciclo anterior de forte expansão”, acrescentou.
Entre os pontos de atenção levantados na sondagem do ICER, destacam-se a infraestrutura e os cortes na geração, a insegurança regulatória, a maturidade do setor e o retorno econômico de investimentos.
Bioenergia no Brasil
Ainda no encontro, o diretor da empresa 4Watt, Leonardo Pedrini, apresentou o projeto de microturbinas de biogás voltadas para pequenos produtores rurais. A empresa é especializada em inovação e produção de energia através de resíduos orgânicos e foi vencedora do Edital de Inovação do SENAI de Goiás (GO).
“Mantemos um DNA muito forte de desenvolvimento e pesquisa de novas tecnologias, principalmente na geração e utilização de biocombustíveis. O RN está no nosso radar de desenvolvimento de negócios, desde consultorias até a instalação de equipamentos”, disse Pedrini.