Compromissos com empoderamento feminino em acordos comerciais é destaque do WE Forum 2026

4/03/2026   14h19

Lideranças do setor público e privado destacaram, durante o evento desta terça (3), que a inclusão de mulheres em mesas de negociação e no comando de exportadoras é chave para a competitividade brasileira

Em edição realizada durante o Movimente – iniciativa do Sebrae-DF –, nesta terça-feira (3),  o WE Forum reuniu empresárias brasileiras, representantes do BRICS e instituições parceiras. Foto: Gilberto Sousa/CNI

Em edição realizada durante o Movimente – iniciativa do Sebrae-DF –, nesta terça-feira (3),  o WE Forum reuniu empresárias brasileiras, representantes do BRICS e instituições parceiras. Foto: Gilberto Sousa/CNI

 

 

 

A ampliação da participação feminina no comércio internacional e, especialmente, nas mesas de negociação de acordos estratégicos como o tratado entre Mercosul e União Europeia foi o eixo central dos primeiros debates do WE Forum, nesta terça-feira (3).

 

 

Lideranças femininas públicas e empresariais defenderam que a presença de mulheres não apenas corrige distorções históricas, mas fortalece a competitividade e amplia o alcance social dos acordos comerciais.

 

 

A secretária de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Tatiana Prazeres, apresentou dados que evidenciam o tamanho do desafio: embora 2,6 milhões de mulheres trabalhem em empresas exportadoras, apenas 14% dessas companhias são lideradas por elas. Mais expressivo ainda é o dado financeiro: somente 2% do valor total exportado pelo Brasil são de empresas sob comando feminino.

 

 

“As empresas que exportam são mais produtivas, que pagam melhores salários, mais resilientes, que lidam melhor com as dificuldades. Então, como fazer com que os benefícios do comércio cheguem a mais pessoas? Como fazer com que o comércio internacional seja, de fato, inclusivo? É por isso que temos priorizado essa agenda com iniciativas práticas”, disse a secretária. A representante da pasta lembrou que o tema comércio e mulheres foi incluído no G20 pela primeira vez durante a presidência brasileira.

 

 

Mulheres nas mesas de negociação

O acordo Mercosul-União Europeia foi citado como exemplo concreto de avanço institucional. Segundo Tatiana Prazeres, durante a negociação com os europeus foi possível incluir ao texto obrigações e janelas de cooperação para garantir que as mulheres possam se beneficiar das oportunidades previstas.

 

 

“O próximo desafio é fazer com que essa seção negociada se traduza em negócios”, afirmou.

 

 

A professora da Itam University, Amrita Bahri, trouxe uma perspectiva pragmática sobre o papel das empresárias na diplomacia comercial.

 

 

Para a especialista, acordos e políticas comerciais não são instrumentos diplomáticos distantes, mas sim “um poderoso livro de regras que define quem tem acesso ao mercado, quem tem acesso a financiamento, quem tem acesso a dados, quem pode assinar contratos em compras públicas”. Segundo Bahri, é preciso que as preocupações das empresas lideradas por mulheres sejam consideradas nessas negociações.

 

 

De acordo com Amrita, os acordos devem focar em obstáculos técnicos reais, como normas de rotulagem e certificações e, portanto, as empreendedoras precisam participar ativamente das consultas públicas dos governos.

 

 

“Transformem suas experiências em evidências concretas, porque essa é a linguagem que negociadores entendem. Apresentem números: quantos dias sua mercadoria ficou parada na fronteira? Quanto custou cumprir determinada exigência?”, orientou a professora.

 

 

Mulheres na liderança incentivam produtividade e inovação

A coordenadora do Fórum Nacional da Mulher Empresária (FMNE) e representante da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Danusa Lima, reforçou que ampliar a presença feminina no comércio exterior é também estratégia de desenvolvimento. Para a coordenadora, a equidade de gênero e gestão feminina estão associadas a ganhos de produtividade e inovação. “Esses são fatores essenciais para garantir a competitividade das nossas empresas”, avaliou.

 

 

O FMNE é uma iniciativa da CNI que incentiva a liderança feminina, o empreendedorismo e o aprimoramento profissional. Com esses objetivos, o fórum propõe recomendações para subsidiar políticas públicas, entre elas: incentivar a formação de mulheres em áreas de inovação e tecnologia; estimular a expansão de negócios próprios; ampliar serviços de apoio à internacionalização; e fortalecer programas de educação executiva. “Isso é muito importante. A gente levar ao Congresso os nossos anseios para que, de fato, se tornem políticas públicas efetivas e façam parte do nosso dia a dia”, explicou Danusa.

 

 

WE Forum

Em edição realizada durante o Movimente – iniciativa do Sebrae-DF –, nesta terça-feira (3),  o WE Forum reuniu empresárias brasileiras, representantes do BRICS e instituições parceiras para trocar ideias, criar conexões reais e impulsionar negócios que já estão transformando o mercado. O objetivo do fórum internacional é posicionar a liderança feminina no centro das decisões econômicas.

 

 

Além da coordenadora do FMNE, participaram do evento desta terça a presidente do FMNE e da Aliança Empresarial de Mulheres do BRICS, Monica Monteiro, e a vice-presidente do Fórum e presidente do Conselho de Administração do Grupo Sabin, Janete Vaz.

 

 

Mulheres Globais

Durante o evento, também foi realizada a divulgação da 2ª edição do Programa Mulheres Globais, iniciativa desenvolvida no âmbito do convênio entre a CNI e ApexBrasil, que fortalece a presença internacional de empresas lideradas por mulheres, por meio de e-commerce como estratégia de expansão.

 

 

Da Agência CNI de Notícias