Congresso de Inovação da Indústria destaca a Bravo, projeto do SENAI com a Petrobras

24/03/2026   15h15

Tecnologia desenvolvida de forma inédita no Brasil pela Petrobras, em parceria com o Instituto SENAI de Inovação em Energias Renováveis (ISI-ER) e o Instituto SENAI de Inovação em Sistemas Embarcados (ISI-SE), será um dos projetos destacados durante o evento

 

O Congresso de Inovação da Indústria começa nesta quarta-feira (26), em São Paulo, e terá entre os destaques para o público a boia Bravo – tecnologia desenvolvida de forma inédita no Brasil pela Petrobras, em parceria com o Instituto SENAI de Inovação em Energias Renováveis (ISI-ER) e o Instituto SENAI de Inovação em Sistemas Embarcados (ISI-SE).

 

O equipamento, que na versão original pesa sete toneladas e mede quatro metros de diâmetro por quatro de altura, será apresentado em forma de holograma no estande da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

 

“É uma maneira de deixar a inovação acessível aos visitantes”, diz o diretor do SENAI-RN e do ISI-ER, Rodrigo Mello. “A boia real é enorme e demandaria toda uma logística para transportá-la e exibi-la no espaço do Congresso. Por isso a ideia de fazer esse protótipo e apresentá-lo sob a forma de holograma”, acrescenta.

 

Considerado o maior evento de inovação industrial da América Latina e um dos principais do mundo, o Congresso deve reunir cerca de 2 mil participantes, entre lideranças empresariais, representantes do governo e instituições de ciência e tecnologia (ICTs). O objetivo é discutir desafios e oportunidades para a inovação no país e contribuir para o avanço de políticas públicas na área.

 

“A boia Bravo coloca o ISI-ER na vanguarda da eólica offshore. O reconhecimento no Congresso de Inovação da Indústria reafirma que a união entre pesquisa e tecnologia é essencial para a energia limpa no Brasil. Inovar é gerar diferencial competitivo — em produtos, processos, modelos de negócio ou na marca — por meio de ações que agregam valor real à atividade, sempre conectadas ao contexto e às necessidades do mercado”, ressalta o presidente do Sistema da FIERN, Roberto Serquiz.

 

A programação do evento será realizada nos dias 26 e 27, das 9h às 18h, no WTC, em São Paulo, e contará com a participação do presidente da Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte (FIERN) e do Conselho Regional do SENAI-RN, Roberto Serquiz, além de Mello, também representando o SENAI-RN e o ISI.

 

O Congresso é realizado pela CNI e pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), com correalização do Serviço Social da Indústria (SESI), do SENAI e do Instituto Euvaldo Lodi (IEL). Esta edição conta com apoio estratégico do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), apoio institucional do INPI e do OCB, além de patrocínio de empresas como Embrapii, Finep, BNDES, Embraer, Petrobras, Itaú, Grupo Boticário, Bosch, Rockwell, Siemens e Vale.

 

Equipamento, que na versão original pesa sete toneladas e mede quatro metros de diâmetro por quatro de altura, será apresentado em forma de holograma no estande da Confederação Nacional da Indústria (CNI)

 

BRAVO
A Boia Remota de Avaliação de Ventos Offshore (Bravo) é um sistema flutuante com tecnologia LiDAR (Light Detection and Ranging), capaz de medir velocidade e direção dos ventos, além de variáveis meteorológicas – como pressão atmosférica, temperatura e umidade – e oceanográficas, como ondas e correntes marítimas.

 

Esses dados são essenciais para avaliar o potencial de geração de energia eólica em alto-mar. Segundo os pesquisadores envolvidos, o sistema pode ser usado na prospecção de recurso eólico offshore, na caracterização de variáveis oceanográficas e em estudos de previsões climáticas e oceânicas.

 

A primeira versão foi testada em 2022 no Rio Grande do Norte. Em 2023, uma segunda versão – com maior área de convés e melhorias eletrônicas – foi lançada a cerca de 20 km da costa, no mar de Areia Branca, para campanha de testes e validação.

 

Agora, a tecnologia segue em fase de desenvolvimento e estágio pré-comercial até o ano 2027, quando deverá começar a ser produzida em série para viabilizar medições de ventos de forma a atender regras da norma IEC 61400.50-4, que descreve procedimentos e métodos que garantem que as medições de vento com sistemas de floating lidar – como é o caso da boia – sejam realizadas e reportadas de forma consistente e de acordo com as melhores práticas.

 

Antes da Bravo, medições de ventos offshore no Brasil eram feitas principalmente a partir de plataformas fixas, como as de petróleo, ou com base em dados coletados em terra e extrapolados por modelos numéricos para o ambiente marinho.

 

Segundo os pesquisadores, essas metodologias apresentavam níveis relevantes de erro e incerteza, além de custos elevados e maior complexidade nos processos de licenciamento.