Em workshop da EPE, ISI-ER apresenta projetos de medição eólica desenvolvidos para o Brasil

7/04/2026   15h05

Referência nacional na área, o ISI-ER está entre os institutos pioneiros no uso da tecnologia LiDAR para medição de vento no Brasil. Imagem mostra LiDAR de Varredura,  que integra a Plataforma de Coleta de Dados Meteoceanográficos (PCDMet) do Instituto

 

Projetos de medição do recurso eólico desenvolvidos pelo Instituto SENAI de Inovação em Energias Renováveis (ISI-ER) serão apresentados nesta terça-feira (7), no Rio de Janeiro, no IV Workshop do Sistema AMA, promovido pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE).

 

Referência nacional na área, o ISI-ER está entre os institutos pioneiros no uso da tecnologia LiDAR (Light Detection and Ranging) para medição de vento no Brasil. 

 

“O ISI-ER utiliza essa tecnologia nos seus projetos de pesquisa desde 2012 e também desenvolveu, em conjunto com a Petrobras e o Instituto SENAI de Inovação em Sistemas Embarcados, o primeiro sistema LiDAR flutuante brasileiro, a boia BRAVO”, destacou Leonardo Oliveira, engenheiro integrante da equipe do Laboratório de Energia Eólica do ISI-ER treinada na Dinamarca, na DTU – uma das universidades técnicas mais respeitadas da Europa – pelas instituições internacionais de pesquisa que mais desenvolvem trabalhos com LiDAR e pelos fabricantes que mais atuam no mercado eólico.

 

A experiência do ISI em campanhas de medição será abordada por ele em uma mesa redonda que também terá como participantes os dois principais fabricantes de sensores LiDAR para o setor eólico, a ZXLIDARS, por meio da Barlovento, e a VAISALA. 

 

“Para o ISI-ER, participar desta discussão é de grande valia, especialmente por ser um workshop promovido pela EPE, que é quem coordena as medições feitas por parques eólicos no Brasil, por meio do sistema AMA (Sistema de Acompanhamento de Medições Anemométricas)”, disse Oliveira. 

 

A programação do evento conta com painéis de agentes governamentais e privados, reforçando discussões sobre a importância de campanhas de medições anemométricas para os projetos eólicos no país e o papel central do Sistema AMA no planejamento energético.

 

Sistema

O AMA é apresentado pela EPE como um banco de dados com importância fundamental para a caracterização dos ventos e condições climáticas, ao contar com informações essenciais para o monitoramento e planejamento da geração de energia eólica no país. O Sistema, segundo a instituição, recebe dados de mais 650 torres anemométricas cadastradas no Brasil.

 

Segundo Oliveira, a tendência é que sensores LiDAR passem a ser incorporados a esse sistema. “A EPE possui dados anemométricos medidos pelos parques eólicos operacionais no Brasil e realiza vários estudos voltados ao setor, sendo a maioria destes dados medidos por torres anemométricas”, observa. “Agora a novidade é que a instituição vislumbra aceitar sensores LiDAR como provedores destes dados”, acrescenta.

 

Durante o Workshop foram abordados desde o uso dos dados oriundos dessas medições até os avanços nas tecnologias de medição remota por LiDARs – uma das tecnologias principais aplicadas em atividades como prospecção do recurso eólico e otimização do controle de aerogeradores. 

 

Workshop aborda desde o uso dos dados na fronteira científica até os avanços nas tecnologias de medição remota por LiDARs – uma das tecnologias principais aplicadas em atividades como prospecção do recurso eólico e otimização do controle de aerogeradores

 

“O  LiDAR é um tipo de sensor que vem sendo cada vez mais aceito e utilizado no setor eólico, devido a sua alta correlação com a maneira convencional de medição de vento (anemômetros de copos instalados em uma torre anemométrica), e, ainda, pela facilidade de instalação e reposicionamento da medição, quando comparado com a maneira convencional de medição”, observa Oliveira.

 

Segundo o engenheiro, para o setor eólico offshore, o sensor LiDAR apresenta grandes vantagens quando comparado com a maneira convencional de medição de vento, possuindo facilidades de instalação, de configuração das campanhas de medição e de manutenção de equipamento.

 

A campanha de medição anemométrica – ou medição do recurso eólico – é considerada uma etapa chave em qualquer projeto de parque eólico, seja ele onshore (em terra) ou offshore (no mar), explica Oliveira. 

 

“É a medição do recurso eólico disponível. Por meio da medição, o desenvolvedor colhe informações necessárias para julgar se aquele local é viável para seguir com um projeto, dos pontos de vista técnico e econômico”, detalha ele e complementa: “Estes dados observados na campanha são utilizados para estimativas do quanto um aerogerador, ou um parque eólico, pode gerar (em energia-MWh) anualmente, além de servir para a caracterização do vento do local, o que é parâmetro de entrada para a escolha do aerogerador que melhor se encaixa para aquele local”.

 

SOBRE O ISI-ER

O Instituto SENAI de Inovação em Energias Renováveis (ISI-ER) é a principal referência do SENAI no Brasil em Pesquisa Aplicada, Desenvolvimento & Inovação para indústrias de energias renováveis e, no Nordeste brasileiro, também lidera iniciativas da instituição para soluções de sustentabilidade voltadas à transição energética.

 

Inaugurado oficialmente em 2021, no Rio Grande do Norte, o Instituto é parte da maior rede de ciência e tecnologia para o setor industrial no país – composta por 28 Institutos SENAI de Inovação (ISIs).

 

A equipe é formada por mestres, doutores e técnicos em áreas como engenharia (mecânica, civil, elétrica, química e naval), meteorologia, oceanografia, geografia e tecnologia da informação.

 

O portfólio abrange estudos, tecnologias e marcos inéditos nacionalmente, como a primeira planta-piloto offshore do Brasil a receber licença prévia do Ibama.

 

A atuação, hoje, envolve oito áreas estratégicas: Energia eólica, Energia solar, Sustentabilidade, Hidrogênio, Combustíveis avançados, Economia azul, Meio Ambiente e Geointeligência.

 

Texto: Renata Moura

Fotos: Divulgação ISI-ER