Equipes do SESI-RN embarcam para Festival Nacional de Robótica em busca de vitória e vaga para mundial

3/03/2026   14h44

A Caracará Lux compete na categoria STEM Racing e tem que desenvolver miniaturas de carros de corrida – Foto: SESI/RN

 

Os alunos da Rede SESI de Ensino no RN embarcam, nesta quarta-feira (04), para São Paulo, com um objetivo claro na bagagem: vencer a etapa nacional do Torneio de Robótica do SESI e conquistar uma vaga para o mundial em Houston, nos Estados Unidos, após um longo período de preparação. Seis equipes potiguares participam do Festival SESI de Educação 2026, uma das maiores competições estudantis de tecnologia do país, que acontece de 4 a 8 de março. 

 

Carcará Lux, SESI Bat Tech, Guaranis, SESI SENAI PotBat, Techno Sertão e Bat Lego representarão o Rio Grande do Norte na etapa nacional, que reúne estudantes de diversas regiões do Brasil. A competição é classificatória para torneios internacionais. 

 

Os competidores terão a missão de projetar e construir robôs nas modalidades FIRST LEGO League Challenge (FLL), FIRST Tech Challenge (FTC) e FIRST Robotics Challenge (FRC), desenvolvendo máquinas capazes de cumprir missões específicas dentro da temática abordada nesta temporada. Já na modalidade STEM RACING, os estudantes criam réplicas em miniatura de carros de corrida, aliando engenharia, design e estratégia. 

 

Com a expectativa elevada para a nova temporada, a meta das equipes é conquistar premiações e garantir classificação para etapas internacionais, comenta o aluno Miguel, 14, da equipe SESI Guarani. “Tem sido uma preparação intensiva. Estamos nesse ritmo desde agosto de 2025 preparando muita coisa. Estamos aqui de segunda à sábado em uma rotina muito puxada, mas não dá para negar que tem sido muito divertido também”, conta.  

 

Segundo a responsável técnica da Robótica no RN, Laysa Guimarães, este é o primeiro ano em que os robôs ficaram prontos em apenas três semanas, um feito que demonstra o amadurecimento técnico e a dedicação dos alunos, que passaram a trabalhar nos robôs no contraturno das atividades escolares. 

 

A temporada 2025/2026, intitulada UNEARTHED, propõe uma imersão no universo subterrâneo. O desafio incentiva os estudantes a compreenderem como solos, minerais, cavernas, sistemas urbanos e ecossistemas invisíveis aos olhos influenciam a vida humana e o meio ambiente. 

 

O tema aproxima os alunos da Ciência da Terra e estimula o desenvolvimento de soluções para desafios reais, como mineração responsável, preservação ambiental, segurança alimentar e novas tecnologias aplicadas ao subsolo. Também provoca reflexões sobre como infraestruturas subterrâneas impactam diretamente a vida nas cidades e o equilíbrio ambiental. 

 

De acordo com Laysa, a nova temática trouxe desafios adicionais, especialmente no desenvolvimento do projeto de inovação. Diferentemente da edição anterior, que teve foco na temática marítima, os estudantes precisaram buscar especialistas e referências ligadas a áreas de escavação e exploração terrestre.  

 

Apesar dos desafios, para o coordenador de Robótica do SESI-RN, Anderson Vieira, o momento é de confiança. “Nós estamos com boas perspectivas para esta temporada. As equipes evoluíram muito em organização, estratégia e desempenho técnico. Conseguimos antecipar etapas importantes do desenvolvimento dos robôs e fortalecer os projetos de inovação. A expectativa é que o Rio Grande do Norte tenha um resultado expressivo e, quem sabe, garanta vagas para as competições internacionais”, afirmou. 

 

 

Parte da equipe SESI Guaranis participa pela primeira vez de um torneio de robótica – Foto: SESI/RN

 

Projetos sociais reforçam impacto além das arenas 

 

 

Mais do que competir, as equipes também precisam apresentar projetos sociais alinhados ao tema do festival. A Carcará Lux, formada majoritariamente por jovens mulheres e participante da categoria STEM RACING, desenvolveu uma iniciativa voltada à inclusão feminina na tecnologia industrial. 

 

Segundo a estudante Eduarda Andrade, de 16 anos, a equipe buscou enfrentar a baixa presença feminina nas áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática. Em parceria com o CTGAS-RN, do SENAI-RN, o grupo propôs a oferta de formação técnica gratuita para meninas interessadas no setor industrial. 

 

“A nossa categoria está ligada à ciência, tecnologia, engenharia e matemática; e percebe-se que essas áreas têm um percentual muito baixo de presença feminina em comparação à masculina. Nosso viés foi fortalecer a presença de meninas que têm interesse em participar, porque muitas vezes esses cursos têm um ambiente onde a mulher não se sente bem em estar”, destacou Eduarda. 

 

Já a SESI Bat Tech desenvolveu o projeto Bat Sertão, com o objetivo de levar a robótica educacional a jovens que não têm acesso à tecnologia. A iniciativa foi construída em conjunto com a equipe SESI SENAI PotiBat e será apresentada durante o festival. “Fomos à São Miguel do Gostoso e à Pendências. Hoje temos esse lado humanizado porque gostamos de levar oportunidades aos jovens estudantes”, ressaltou Guilherme Massami, 17, líder da equipe.  

 

A Guaranis, por sua vez, desenvolveu uma ficha catalográfica integrada para documentação arqueológica. Trata-se de um banco de dados inteligente que utiliza Inteligência Artificial e permite que pesquisadores cadastrem fotos e desenhos de suas descobertas arqueológicas e possam, ao mesmo tempo, pesquisar o que já foi encontrado Brasil afora, como comenta a aluna Angelina Florance, 12. “Desenvolvemos essa plataforma para facilitar o processo de documentação, mantimento e pesquisa”.  

 

Equipes estão renovadas para temporada 2026 

 

Para este ano, grande parte das equipes está renovada com novos estudantes, isso porque no final de 2025 houve processo seletivo para substituição dos alunos concluintes. Por isso, cada equipe precisou lidar com a novidade de praticar robótica pela primeira vez e ainda manter o compromisso necessário para melhorar seus robôs e competir nos torneios.  

 

Quem entrou nesta temporada e tem, pela primeira vez, contato com a robótica é a aluna Raycka Sophie, 17 anos, que ingressou na equipe Bath Tech – mesmo time que competiu no mundial de Eindhoven, na Holanda, no ano passado. “Estou muito ansiosa porque não tenho grandes experiências”, comenta. “Eu não me imaginava na robótica e quando entrei no SESI percebi que era algo diferente do que eu julgava, mas agora minhas expectativas estão lá em cima e creio que vamos conseguir uma vaga para o mundial lá em Houston”, relata Raycka.  

 

SESI Bat Tech leva na mala a perspectiva de participar, pela segunda vez, de um mundial de robótica – Foto: SESI/RN