
Empresas que atuam no setor de tecnologia demonstram interesse em realizar grandes empreendimentos para a instalação de data centers no Rio Grande do Norte. Mais de vinte grupos empresariais já fizeram consultas nesse sentido, e está em fase de definição um marco regulatório, com regras tributárias e ambientais necessárias ao licenciamento desses empreendimentos. As informações foram dadas pelo secretário de Estado do Desenvolvimento Econômico (Sedec), Alan Silveira, durante o primeiro episódio do ano do podcast “Fala, Indústria!”.
“Isso [a regulação para o setor] tem que ser aprovado até fevereiro, para que possamos participar dos editais entre março e abril e não perder o timing de 2026”, afirmou o secretário durante o Fala, Indústria, disponível no canal do Sistema FIERN, no YouTube.
Acesse a entrevista pelo link: https://www.youtube.com/watch?v=QM-WtMq395s
Segundo ele, é necessário estabelecer um marco regulatório específico, com a aprovação das normas pelo Conselho Estadual do Meio Ambiente (Conema). A partir disso, os decretos que tratam das regras poderão ser editados e publicados, formalizando a regulamentação necessária. O interesse das empresas já foi comunicado à Sedec. “Só de data centers, mais de vinte empresas informaram interesse em investir no estado”, disse o secretário.
Alan Silveira destacou que a regulamentação vai se somar às condições naturais favoráveis do Rio Grande do Norte para atrair esse tipo de investimento. Entre os fatores citados estão a localização geográfica estratégica, “na esquina do continente”, que garante proximidade com países que demandam conexão com data centers; o amplo litoral, que facilita a instalação de cabos de fibra óptica; e a alta capacidade de geração de energia, elemento essencial para esse tipo de empreendimento.
Além da geração de empregos, da atração de investimentos e do estímulo à inovação tecnológica, o secretário ressaltou que os data centers podem contribuir para enfrentar desafios relacionados à crescente geração de energia eólica, que recentemente tem exigido reduções ou cortes forçados de produção {do inglês, curtailment], devido à insuficiência da infraestrutura de rede para distribuição.
Os data centers são considerados atualmente uma nova alternativa de desenvolvimento econômico, com potencial para atrair investimentos de grande porte. O Brasil vem se consolidando como um dos principais destinos desse mercado, que deve movimentar cerca de US$ 3 trilhões nos próximos cinco anos, segundo relatórios de agências especializadas. Os investimentos são impulsionados pelo avanço da inteligência artificial (IA), da computação em nuvem e dos serviços de internet.
No Ceará, por exemplo, um único data center, pertencente a uma empresa do setor de vídeos em redes sociais, deverá receber R$ 15 bilhões em investimentos, com potencial para se tornar o maior investimento privado da história do país. Somente na fase de obras, a expectativa é de geração de cerca de 4 mil empregos. O empreendimento está em fase inicial, com serviços de supressão vegetal e terraplanagem. A previsão é que, em 2027, seja concluído o primeiro data hall, uma das grandes salas que abrigam os equipamentos tecnológicos de um data center.
Durante a entrevista, o secretário também fez uma avaliação positiva das iniciativas da Sedec em 2025, citando programas como o RN+Exportação e o Construir Mais RN.
O Fala Indústria é um espaço de diálogo sobre o cenário industrial do Rio Grande do Norte, com participação de convidados e interação do público pelas redes sociais. Nesta edição, a apresentação ficou a cargo dos jornalistas Líria Paz e Aldemar Freire.
O programa é transmitido ao vivo pelas redes do Sistema FIERN, pela rádio Jovem Pan News Natal, e conta com reprise aos sábados na Band TV Natal.
Assista o episódio do Fala, Indústria! com o secretário de Desenvolvimento Econômico do RN, Alan Silveira, na íntegra: