
A Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte (FIERN) sediou, nesta quarta-feira (12), o Finep Pelo Brasil. Trata-se de uma série de mais de 100 encontros itinerantes que percorre as principais capitais e cidades do interior em todas as regiões do país com objetivo de facilitar o acesso de empresas e instituições de pesquisa aos investimentos não reembolsáveis e ao crédito da Finep — Financiadora de Estudos e Projetos.
Os recursos são ofertados com taxas mais competitivas do que as praticadas pelo mercado, para o desenvolvimento de projetos de inovação que diminuam a dependência tecnológica do Brasil, fortalecendo a soberania nacional no atual cenário geopolítico global.
A abertura do evento contou com a participação do diretor 1º tesoureiro da FIERN, Djalma Júnior, do vice-presidente da FIERN e presidente do SINDAL-RN, Ednaldo Barreto, da coordenadora executiva de Relações Institucionais e com o Mercado da FIERN, Ana Adalgisa Dias, e do superintendente da Finep no Nordeste, Ossi Fernandes.
Djalma Júnior, que também é presidente da Comissão Temática de Inovação, Ciência e Tecnologia da FIERN (COINCITEC), destacou que tem a intenção de desenvolver um escritório de projetos de inovação na Casa da Indústria. “O foco é estruturar profissionais ou empresas para atender os empresários e facilitar a concretização de ideias inovadoras. Com isso, os empreendedores poderiam encontrar aqui o desenho do projeto de inovação, onde encontrar os recursos para aplicar e ter sucesso nessa construção.”

Para Ednaldo Barreto, a iniciativa colabora com o trabalho de reverter o processo de desindustrialização que o país enfrenta há anos. “O debate engloba crédito para investimento em inovação, pilar essencial para o desenvolvimento industrial, a competitividade e a recuperação do mercado.”
De acordo com Ana Adalgisa Dias, o foco do evento foi apresentar para os sindicatos da indústria do RN as oportunidades. “Nossa missão é aproximar a indústria aos diversos atores que impulsionam o desenvolvimento industrial. Acreditamos que isso vai gerar desenvolvimento industrial, progresso e aprimoramento da nossa indústria.”
O superintendente Ossi Fernandes explica que, em 2025, a Finep atingiu 20% de aplicação de recursos no Nordeste e o objetivo para 2026 é alcançar os 30%. “Apresentamos, nesta ocasião, um conjunto de condições que visam direcionar esses recursos para a região. Estamos disponibilizando R$ 5 bilhões de recursos não reembolsáveis, além de linhas de crédito para inovação.”
Desafios setoriais
O acesso ao crédito para inovação é um dos principais desafios enfrentados pela indústria potiguar. Presidentes e lideranças do setor produtivo potiguar destacam os entraves para acessar os financiamentos e a importância do diálogo próximo à Finep para democratizar os caminhos para obter recursos.
O presidente do SINDRECICLA-RN, Etelvino Patrício, comenta que a instituição já é atende empresas do setor com o financiamento de projetos. “Dentro do SINDRECICLA-RN temos associados com projetos em andamento, na chamada do ano passado. Compreendemos que esse avanço impulsionará o desenvolvimento, o investimento e o crescimento da atividade no estado.”
A cadeia de laticínios potiguar, aponta o presidente do SINDLEITE-RN, Túlio Veras, também demanda acesso ao crédito para inovar nas produções. “A produção no Rio Grande do Norte é muito tradicional e precisamos inovar, profissionalizar e de tecnologia no campo. A adoção dessas tecnologias pode aumentar a receita em até 35%. Contudo, muitos produtores, especialmente na região do semiárido, enfrentam custos elevados e, consequentemente, dificuldades para obter o retorno financeiro necessário para investir em tecnologia”, destaca Veras.
Para o presidente do SINDMINERAIS-RN, Mário Tavares, o crédito, no contexto da mineração, é questão central. “A mineração, como setor econômico, é caracterizada por um alto nível de risco. Não é possível prever com certeza se uma área ou jazida proporcionará retorno sobre o investimento. Consequentemente, é necessário capital a fundo perdido para viabilizar os investimentos iniciais.”