Indústria deve enfrentar 2026 desafiador, aponta CNI em reunião da FIERN

27/02/2026   19h09

 

A indústria brasileira deve atravessar 2026 em um cenário de perda de ritmo na atividade e impacto direto dos juros elevados sobre o setor produtivo. A avaliação foi apresentada pela economista Larissa Nocko, especialista em políticas e indústria da Confederação Nacional da Indústria (CNI), durante a primeira Reunião de Diretoria da FIERN deste ano, realizada nesta sexta-feira (27), na Casa da Indústria. 

 

Ao detalhar o “Cenário Econômico e Perspectivas para 2026”, a especialista destacou que o crescimento projetado para este ano deve ser o menor dos últimos cinco anos, com desaceleração mais disseminada entre os setores da economia. No entanto, é na indústria onde os sinais são mais evidentes no cenário nacional.

 

Segundo os dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a indústria apresenta um cenário de queda na demanda e deterioração da confiança do empresário industrial, situação agravada pelo aumento das importações, particularmente de bens de consumo, que capturam parcela relevante do mercado interno, segundo a economista.

 

Dentro da indústria, o segmento extrativo foi apontado como destaque positivo, mantendo desempenho relativamente melhor em comparação à transformação. “Tivemos um crescimento forte da produção extrativa – petróleo e minério de ferro – enquanto a indústria de transformação apresentou um recuo. Diferente do que aconteceu em 2024”, disse. “Mesmo que a indústria extrativa apresente leve queda, ela está em um patamar acima. Isso se deve tanto à extração de petróleo, quanto ao aumento da produção de minério de ferro”, completa Nocko.

 

 

A apresentação também destacou que, apesar da melhora no cenário inflacionário, a taxa básica de juros segue elevada, o que continua penalizando especialmente os setores mais dependentes de crédito. 

 

Com a desaceleração da atividade econômica e a inflação mais comportada, a expectativa é de que o Banco Central do Brasil tenha espaço para iniciar um ciclo de cortes na taxa Selic ao longo do ano. “Diante da inflação cedendo, abre-se espaço para diminuição da taxa de juros. Embora estejamos falando de um início de ciclo de corte de juros, ainda representa um cenário restritivo”, apontou Larissa Nocko. 

 

A CNI projeta que, embora mais fraco, o crescimento econômico de 2026 permanecerá no campo positivo. O principal motor deve ser a demanda interna, sustentada pelo mercado de trabalho ainda aquecido. O setor de serviços segue em expansão e tem contribuído para amortecer a desaceleração mais intensa observada na indústria.

 

“O mercado de trabalho resiliente, com reajuste do salário mínimo e ampliação da faixa de desoneração do imposto de renda impede uma desaceleração ainda mais forte da demanda”, concluiu Nocko. 

 

O presidente da FIERN, Roberto Serquiz, ressaltou a importância de contar com a análise da Confederação para projetar o cenário de 2026. “É importante que venha alguém com a visão da CNI, na área econômica, trazer esse cenário e essa perspectiva”, afirmou. Segundo ele, mesmo em um ano eleitoral marcado por polarização, os dados apresentados indicam preocupação, mas sem risco de retração. “Não há perigo de queda de crescimento. É um crescimento fraco, mas que será mantido”, disse.

 

Ele apontou ainda dois fatores que pressionam a confiança do empresariado: a implementação da reforma tributária e a ameaça de redução da jornada de trabalho. “São duas mudanças estruturantes, simultaneamente”, observou. Apesar das incertezas, destacou que 2025 se encerra com estabilidade na demanda e no mercado de trabalho. “Vivemos um momento de inquietação, mas o empresário tem a capacidade de superar e conviver com essas instabilidades”, concluiu.

 

Roberto Serquiz apresenta novo sindicato associado

 

Ainda durante o encontro, Roberto Serquiz apresentou à diretoria o Sindicato da Indústria de Moagem e Refino de Sal do RN (SIMORSAL-RN), novo associado à Federação. A entidade é presidida por Conceição Praxedes, quarta mulher à frente de um sindicato filiado à FIERN.

 

Conceição destacou que já possui uma série de demandas do setor para encaminhar junto à Federação. “Eu estou bastante impressionada com a estrutura e o suporte que a gente pode contar, né. Então, assim, muito interessante o trabalho e, com certeza, nós vamos desenvolver grandes ações”, afirmou.

 

A reunião também contou com apresentações institucionais sobre o calendário de eventos e projetos da FIERN, além da exposição de novas iniciativas previstas para 2026. O encontro foi realizado na data em que a Federação celebra seu aniversário de fundação.