Indústrias potiguares são finalistas no Prêmio Nacional de Inovação 2026

6/03/2026   18h11

As indústrias potiguares BQMIL, Sabor de Coco e ReciAço, associadas à Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte (FIERN), estão entre as finalistas do Prêmio Nacional de Inovação 2026 (PNI), iniciativa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) em parceria com o Sebrae. A premiação conta com a parceria do Sistema Indústria através do IEL, SENAI e SESI, e reconhece, a cada dois anos, iniciativas que impulsionam a inovação na indústria brasileira. 

 

As empresas foram reconhecidas nas categorias Recursos Renováveis (Sabor de Coco e BQMIL) e Descarbonização (ReciAço), dentro da modalidade de Transição Energética nas modalidades de médio e de pequeno porte, respectivamente.   

 

 

Nessa modalidade, são considerados, entre outros critérios, inovações que promovam a transição para uma matriz energética mais limpa, segura, sustentável e eficiente, por meio do uso ampliado de fontes de energia renováveis e da redução das emissões de gases de efeito estufa, contribuindo para a mitigação das mudanças climáticas, o fortalecimento da segurança energética nacional e o aumento da competitividade da indústria brasileira. 

 

O presidente da FIERN, Roberto Serquiz, destaca que o reconhecimento evidencia o compromisso do setor produtivo local com soluções inovadoras e sustentáveis. “É uma felicidade para nós, da Federação, pois a classificação reforça o potencial transformador de indústrias que investem em pesquisa, desenvolvimento tecnológico e novos processos produtivos, e que contribuem para o aumento da competitividade e para o avanço da indústria do nosso estado”, ressalta Serquiz.  

 

Para o diretor de Governança e Estratégia da BQMIL, Marcos Rosado, o resultado demonstra o foco da empresa em pesquisa e inovação. “A BQMIL nasceu da inovação. Nossa planta industrial foi desenvolvida por nossa própria equipe e a lógica da economia circular está presente desde a concepção da empresa até os produtos e pesquisas que desenvolvemos”, disse. 

 

Segundo o empresário Bruno Talarico, da Sabor de Coco, a classificação no prêmio representa um reconhecimento importante para pequenas empresas que investem em inovação. “Quando começamos o projeto de forma bem artesanal, jamais imaginei que estaríamos dividindo um palco com grandes empresas do país. É um reconhecimento muito importante para quem empreende e aposta em inovação”, afirma. 

 

Já a diretora administrativa da ReciAço, Sybelle Raquel, destaca que a classificação reforça o compromisso da empresa com soluções sustentáveis. “Ser finalista do prêmio nacional reforça nosso compromisso com a inovação industrial, a sustentabilidade e a transformação da cadeia da reciclagem metálica”, disse. 

 

A presença de empresas potiguares entre as finalistas reforça o potencial inovador da indústria do estado, ressalta o presidente da Comissão Temática de Inovação e Tecnologia da Federação das Indústrias do RN (COINCITEC/FIERN), Djalma Júnior. “Esse reconhecimento nacional evidencia que as indústrias do Rio Grande do Norte estão desenvolvendo soluções tecnológicas alinhadas aos desafios atuais, como sustentabilidade, eficiência produtiva e transição energética”, afirmou. “Essas iniciativas por parte das empresas vão contribuindo cada vez mais para o fortalecimento do ecossistema local. Ou seja, são empresas inovadoras dentro de um ambiente de muitos desafios”, acrescenta Djalma Júnior. 

 

Criado para valorizar iniciativas inovadoras na indústria brasileira, o Prêmio Nacional de Inovação já registrou 16.560 inscrições ao longo de suas oito edições. Nesse período, 308 projetos chegaram à fase final e 113 foram premiados, destacando empresas, pesquisadores e ecossistemas de inovação por avanços em produtos, processos e soluções tecnológicas. 

 

Do RN, também se classificaram para a final na categoria “Ecossistema de Inovação”, o Vale do Seridó, Ecossistema Local de Inovação de Currais Novos; e o diretor da unidade Embrapii Metrópole Digital da UFRN, Itamir de Morais Barroca Filho, na categoria “Pesquisador Empreendedor”.   

 

Projeto reaproveita resíduos para produção de cimento  

 

A BQMIL se destacou com um projeto voltado ao desenvolvimento de um cimento especial para poços de petróleo em terra, produzido a partir do reaproveitamento de resíduos industriais e agrícolas. O projeto foi desenvolvido em parceria com a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e com a Repsol Sinopec Brasil (RSB).  

 

O material é altamente resistente e indicado para aplicação em campos maduros onshore, que operam sob elevadas temperaturas. A iniciativa combina inovação tecnológica com reaproveitamento de resíduos, contribuindo para reduzir impactos ambientais e custos operacionais. 

 

A empresa já acumula histórico de destaque na premiação. Ao manter investimentos em pesquisa, lembra o CEO Marcelo Rosado, a BQMIL esteve entre as três melhores do Prêmio Nacional de Inovação nas edições de 2019 e 2022 e agora volta a figurar entre as classificadas para a edição de 2026. 

 

Sabor de Coco inova ao criar máquina movida a energia solar 

 

Já a Sabor de Coco conquistou a classificação com um projeto de forno termossolar, tecnologia que utiliza a concentração de raios solares para substituir fornos tradicionais a gás no processo de produção. 

 

O equipamento funciona por meio de um sistema de concentração da radiação solar — semelhante ao efeito de uma lupa — que direciona o calor para uma bandeja metálica capaz de atingir temperaturas entre 180 °C e 200 °C, permitindo o preparo de alimentos sem uso de combustíveis fósseis.  

 

O protótipo foi desenvolvido com apoio do programa Tecnova e resultou no registro de uma patente verde. 

 

Siderúrgica verde aposta em economia circular 

 

Outro projeto finalista é o Green Steel 360, desenvolvido pela ReciAço, que propõe a operação da primeira siderúrgica 100% verde do Brasil. A iniciativa transforma sucata ferrosa — coletada por associações, catadores e fornecedores pessoa física e jurídica — em novos produtos siderúrgicos, utilizando energia renovável em todo o processo produtivo. 

 

 

O modelo se baseia na implantação de uma célula de reciclagem com forno de indução, capaz de transformar sucata metálica em tarugos de aço com maior valor agregado. A tecnologia aumenta a eficiência produtiva, reduz custos operacionais e elimina o uso de combustíveis fósseis no processo de fusão, contribuindo para a redução das emissões de CO₂. 

 

Além dos ganhos ambientais e tecnológicos, o projeto também gera impactos sociais, com geração de empregos, capacitação profissional e parcerias com instituições de ensino, além de iniciativas voltadas à educação ambiental, inclusão social e desenvolvimento local.