Mulheres que lideram: pioneirismo feminino transforma o cenário industrial no RN

9/03/2026   08h07

 

A presença feminina na indústria potiguar vai além da participação no cotidiano do setor e se consolida na liderança. Na Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte (FIERN), mulheres ocupam cargos na sua diretoria como também na presidência de sindicatos, influenciando decisões que impactam na geração de empregos, no crescimento econômico e no desenvolvimento do estado. São trajetórias marcadas por pioneirismo e vitórias em setores historicamente masculinos.  

 

Como a de Conceição Tavares, vice-presidente da FIERN e presidente do SINDPLAST-RN. Ela é a primeira mulher a presidir o Sindicato da Indústria do Plástico no RN, a primeira vice-presidente da Federação e, em 2025, pela primeira vez em sete décadas da instituição, tornou-se a primeira presidente da FIERN, ao ocupar interinamente o cargo em 2025. Pelo pioneirismo e trabalho de excelência, foi a primeira potiguar a receber a Medalha da Ordem do Mérito Industrial da Confederação Nacional da Indústria (CNI).  

 

Empresária, fundou ao lado do esposo a Iplan Indústria de Plásticos Andrea, em Parnamirim. “Meu pai não queria que eu trabalhasse e só quando meu marido se aposentou, eu coloquei um negócio para mim, no meu nome. E essa é uma grande realização na minha vida”, relembra. Sobre a atuação na Federação, afirma que se sente orgulhosa e honrada por ter sido escolhida tantas vezes para funções de destaque.    

  

Ao assumir a presidência interinamente, no ano passado, ela mudou a própria percepção sobre as dificuldades do cargo. “Eu achava que seria difícil para uma mulher assumir a presidência da Federação, mas isso mudou quando cheguei ao cargo”, comenta.   

 

 

Esse vanguardismo abriu espaço para outras mulheres que ocupam posições de liderança no Sistema FIERN. Entre elas está Zauleide Queiroz, presidente do Sindicato da Indústria de Sorvetes, Congelados e Derivados do RN (SINDISORVETE-RN) em seu quarto mandato. Empresária industrial, ela resume a experiência com objetividade. “É gratificante ser mulher na indústria. Vivemos de sacrifício e de luta constante, mas é prazeroso ver o resultado sair”, afirma. 

 

Fundadora do Grupo SterBom ao lado do esposo, Zauleide também atua como diretora administrativa-financeira da empresa, criada em 1991, no bairro do Alecrim. Atualmente instalada no Distrito Industrial de Parnamirim, a indústria ampliou suas atividades e hoje produz sorvetes, picolés, gelo, polpas de frutas e outros insumos da cadeia do sorvete, destacando-se como uma das maiores indústrias de alimentos do estado.  

 

Para ela, a atuação no movimento sindical também contribuiu para o crescimento profissional. Zauleide acrescenta que a presença feminina agrega cautela e visão crítica aos processos. “A mulher é mais cuidadosa e prudente. No sindicato, aprendi muito e amadureci como empresária”. E reforça: “Nunca desista dos seus sonhos”.  

  

Liderança feminina em novos setores  

  

Agora, novos segmentos industriais contam com esse olhar feminino, como o setor de moagem e refino de sal, que hoje é liderado por Conceição Praxedes, presidente do Sindicato das Indústrias de Moagem e Refino de Sal do RN (SIMORSAL), e representa um dos segmentos mais relevantes da economia potiguar. Empresária em Mossoró, atua em um ambiente majoritariamente masculino. “A mulher é comprometida, competente e tem um olhar sensível para as pessoas”, afirma.   

  

Em reuniões onde muitas vezes é a única mulher, ela vê no desafio uma motivação. “A indústria faz muita diferença na minha vida uma vez que o meu segmento é 99,9% masculino e muitas vezes a única mulher na reunião sou eu, em meio a 20 ou 30 homens. Em um cenário assim, nos obrigamos a melhorar, a sermos mais eficientes e a nos desenvolver cada vez mais”, finaliza.  

 

 

Outra representante da indústria de transformação do estado, a CEO da Suanor Indústria de Implementos Rodoviários, Tercina Suassuna, é diretora da FIERN, vice-presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico do Estado do Rio Grande do Norte (SIMETAL-RN) e da Comissão Temática de Micro e Pequenas Empresas (COMPEM).  

 

 

Em sua atuação empresarial e sindical, defende a ampliação de mulheres em espaços industriais. Para ela, a liderança feminina está ligada a propósito e inovação. Ao tempo em que reconhece os desafios do setor, ela também destaca o mais importante: o aprendizado.  

 

“A mulher inspira e cria um ambiente inovador dentro das indústrias. Este é um ambiente complexo, mas prazeroso. A indústria desenvolveu minha capacidade de decisão e de agir sob pressão”, enfatiza Tercina. E reforça: “Quando uma mulher cresce, ela eleva todos ao seu redor.” 

 

Liderança que inspira e se reinventa  

  

Presidente do Sindicato das Indústrias de Fiação e Tecelagem do estado (SIFT-RN), Helane Cruz defende que a ocupação de espaços de liderança passa, principalmente, por capacidade e capacitação. “A mulher tem inúmeras capacidades. Conseguimos administrar carreira, maternidade e família. Temos habilidade para conduzir várias responsabilidades, além de estarmos sempre buscando nos capacitar profissionalmente para os desafios”, afirma. Para ela, o avanço feminino é um movimento coletivo. “Mulheres capacitadas inspiram outras, constroem pontes e abrem caminhos.”   

 

Helane representou a Federação no Fórum Nacional da Mulher Empresária CNI — espaço que debate estratégias voltadas à diversidade, liderança e ao empreendedorismo feminino no setor produtivo brasileiro — e atua no fortalecimento da indústria têxtil e de confecção, inclusive no interior do estado. “Eu acredito que a mulher tem inúmeras capacidades, temos uma habilidade nata de administrar vários ‘pratos’ de forma simultânea”, disse. 

 

 

Natural do Seridó potiguar, Fátima Dantas de Araújo representa outra trajetória de reinvenção. Diretora da FIERN e do Sindicato das Indústrias de Bonés e Chapéus do Rio Grande do Norte (SINDIBONÉS/RN), é proprietária da Bonelaria Dantas, em Caicó. Começou produzindo panos de prato e conta, com orgulho, que vendeu uma bicicleta e uma televisão para comprar o primeiro tear. E que, apesar das dificuldades que teve no início, sabia o que era necessário para obter sucesso no futuro. “Precisava investir em mim”, recorda.  

  

Após assumir a empresa em 2002, Fátima Dantas ampliou o negócio e consolidou a marca no estado. Hoje, lidera o setor de confecção que mais emprega na região. “Eu precisei me reinventar muitas vezes. A indústria me ensinou a ter coragem para mudar, inovar e continuar crescendo.”