A 5ª edição do Radar da Indústria, relatório divulgado nesta semana pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), apresenta o resultado dos principais instrumentos contemplados na Nova Indústria Brasil (NIB), nos últimos dois anos.
Ao combinar um conjunto de programas e instrumentos complementares voltados a enfrentar gargalos da estrutura produtiva brasileira, a NIB busca avanços concretos ao direcionar recursos públicos e estimular o investimento privado.
P+P mobilizará mais de R$ 700 bilhões em quatro anos
Principal instrumento financeiro da política, o Plano Mais Produção (P+P) mobilizará mais de R$ 700 bilhões em crédito em quatro anos. Desse total, R$ 653,2 bilhões já foram aprovados nos dois primeiros anos, destinados a 428 mil projetos direcionados para as seis missões contempladas na política industrial.
Os R$ 300 bilhões destinados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) , principal agente financeiro do P+P, já foram integralmente aprovados em projetos voltados à reindustrialização. Em razão desse desempenho, o banco anunciou, em fevereiro deste ano, mais R$ 70 bilhões até o final do ano.
Depreciação Acelerada acumula R$ 2,6 bilhões em renúncia fiscal para as empresas
Outro destaque se dá ao Programa de Depreciação Acelerada. O programa já aprovou 6.363 pedidos, resultando em um volume estimado de R$ 2,6 bilhões em renúncia fiscal que beneficia as empresas.
Assim, em um cenário em que as máquinas e equipamentos industriais brasileiros possuem uma idade média avançada de 14 anos, o programa busca a modernização fabril, atuando na antecipação do abatimento tributário, o que resulta na melhoria do fluxo de caixa das empresas.
“Isso permite que a indústria atenda a outras necessidades operacionais com menos dependência de juros altos e consiga antecipar a realização de novos investimentos”, explica o superintendente de Política Industrial da CNI, Fabrício Silveira.
Segundo a CNI, como ainda existem projetos em avaliação, a renúncia fiscal do programa pode chegar a R$ 2,8 bilhões, o que representa 81,63% do limite total de R$ 3,4 bilhões autorizados para o ciclo.
Avanços na área de inovação
O documento da CNI ilustra desenvolvimentos concretos na área de inovação, a partir de recursos do BNDES, tais como:
Continuidade e Política de Estado
Mesmo em um cenário internacional marcado por restrições comerciais e tensões geopolíticas, a Nova Indústria Brasil tem mostrado capacidade de mobilizar capital e induzir investimentos privados.
No entanto, o Radar da Indústria alerta para a necessidade de assegurar condições de financiamento mais favoráveis, com juros competitivos e atrativos ao investimento produtivo. O documento também destaca que os problemas estruturais enfrentados pela indústria nacional exigem esforços de longo prazo, ressaltando a importância da perenização da política industrial nacional, para se tornar uma política de Estado.
“A perenização da política industrial é fundamental para que o país avance no enfrentamento de problemas estruturais da indústria nacional. A reindustrialização exige objetivos claros, coordenação institucional e horizontes mais longos do que aqueles usualmente associados ao ciclo político. A continuidade e melhoria progressiva da política industrial também dará às empresas maior capacidade de planejamento para enfrentar os desafios globais da descarbonização, da eficiência energética e da adoção de tecnologias de ponta, essenciais para o ganho de competitividade”, ressalta Fabrício Silveira.
Confira outros destaques da 5ª edição do Radar da Indústria.