
Uma exibição da Bravo em forma de holograma e informações sobre o SAF desenvolvido pela equipe do Instituto estão em exposição no evento, no estande da Confederação Nacional da Indústria (CNI)
Tecnologias desenvolvidas no Rio Grande do Norte para a produção de combustível sustentável de aviação (SAF) e para a medição de ventos em alto-mar estão entre os destaques do Congresso de Inovação da Indústria, que começou nesta quarta-feira (15), em São Paulo.
Os projetos são do Instituto SENAI de Inovação em Energias Renováveis (ISI-ER) e incluem a boia Bravo – sistema inédito no Brasil que permite a coleta de dados essenciais para avaliar o potencial de geração de energia eólica offshore (no mar), considerada a nova fronteira energética no país.
Uma exibição da Bravo em forma de holograma e informações sobre o SAF desenvolvido pela equipe do Instituto estão em exposição no estande da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

O presidente do Sistema FIERN, Roberto Serquiz, e o vice-presidente da CNI, Amaro Sales, no Congresso, com representantes do SENAI-RN, do SESI, do IEL e da FIERN
“O SENAI conseguiu identificar, em todo o Sistema Indústria no Brasil, produtos que representam o que a indústria brasileira faz em prol da inovação. Temos muito orgulho de ter a Bravo e o desenvolvimento de SAF como destaques no evento”, disse o diretor do SENAI-RN e do ISI-ER, Rodrigo Mello.
O presidente do Sistema FIERN e do Conselho Regional do SENAI-RN, Roberto Serquiz, também destacou a importância da inovação para o setor. “A inovação não é uma opção. É um caminho de crescimento”, afirmou. Segundo ele, a boia Bravo representa um avanço relevante para a eólica offshore, abrindo caminho para um futuro de energia limpa, eficiente e competitiva no Brasil.
“Trata-se de uma solução inédita no país, desenvolvida pelo Instituto SENAI de Inovação em Energias Renováveis para atender a uma das mais promissoras fronteiras da geração de energia”, disse ele, complementando: “Estar entre os destaques do principal Congresso de Inovação da Indústria reforça a relevância dessa iniciativa. Esse reconhecimento nos orgulha e confirma que investir em educação, tecnologia e pesquisa é essencial para transformar o presente e construir o futuro.”
Além de Serquiz e Mello, participam do evento o presidente da Comissão Temática de Inovação, Ciência e Tecnologia da Federação (COINCITEC/FIERN), Djalma Barbosa Júnior, o diretor de operações do SESI-RN, Juan Saavedra, o vice-presidente da CNI, Amaro Sales, a gerente executiva de Operações e Negócios do IEL-RN, Ana Luiza Oliveira; a secretária executiva da COINCITEC, Susie Macedo; e a assessora executiva da FIERN Jovem, Helen Buonora.

O projeto de produção de Combustível Sustentável de Aviação é executado por meio de parceria entre a Cooperação Técnica Alemã para o desenvolvimento sustentável (na sigla alemã GIZ – Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit) e o SENAI-RN, que há aproximadamente 10 anos estuda rotas alternativas de produção de hidrogênio. A UFRN também participa
Projetos
Desenvolvida pela Petrobras em parceria com o ISI-ER e o Instituto SENAI de Inovação em Sistemas Embarcados (ISI-SE), a Boia Remota de Avaliação de Ventos Offshore (Bravo) é um sistema flutuante com tecnologia LiDAR (Light Detection and Ranging), capaz de medir velocidade e direção dos ventos, além de variáveis meteorológicas – como pressão atmosférica, temperatura e umidade – e oceanográficas, como ondas e correntes marítimas.
Esses dados são essenciais para avaliar o potencial de geração de energia eólica em alto-mar e podem ser utilizados também em estudos climáticos e oceânicos.
A primeira versão da boia foi testada em 2022 no Rio Grande do Norte. Em 2023, uma segunda versão – com melhorias estruturais e eletrônicas – foi lançada a cerca de 20 km da costa, no litoral de Areia Branca, para campanha de testes e validação.
A tecnologia segue em fase de desenvolvimento e deve atingir o estágio pré-comercial até 2027, quando deverá começar a ser produzida em série para viabilizar medições de ventos de forma a atender regras da norma IEC 61400.50-4, que descreve procedimentos e métodos que garantem que as medições de vento com sistemas de floating lidar – como é o caso da boia – sejam realizadas e reportadas de forma consistente e de acordo com as melhores práticas.
Antes da Bravo, medições de ventos offshore no Brasil eram feitas principalmente a partir de plataformas fixas, como as de petróleo, ou com base em dados coletados em terra e extrapolados por modelos numéricos para o ambiente marinho – métodos com maior nível de incerteza e custos elevados.
Segundo Rodrigo Mello, a tecnologia tem potencial para reduzir custos e ampliar a viabilidade da energia eólica offshore no país. “Esse projeto traz uma perspectiva de baixar o custo do primeiro grande investimento que o setor tem que fazer para entrar nessa cadeia produtiva, que é o conhecimento do recurso eólico, sem que para isso exista a necessidade de firmar caras e grandes infraestruturas físicas e estanques no meio do mar”, observa ele. “Com a Bravo, você leva a boia, passa o período necessário, tira de lá depois e etc. Isso barateia, traz eficiência e perspectiva de boa convivência com o ambiente”, diz Mello.
No caso do SAF, estudos do ISI-ER na área foram reconhecidos neste ano como referência no “Radar Tecnológico – Combustíveis Sustentáveis de Aviação (SAF): pedidos de patente no Brasil e no mundo”, do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). O documento, que tem como objetivo fomentar a cooperação em ciência, tecnologia e inovação entre academia, indústria e governo, cita a planta-piloto instalada no Hub de Inovação e Tecnologia (HIT) do SENAI-RN, voltada à produção de SAF a partir da glicerina – um coproduto da indústria de biodiesel.

Produto obtido pela tecnologia de Fischer Tropsch no desenvolvimento do SAF: Expectativa do projeto é reduzir emissões de gases do efeito estufa em voos | Foto: Renata Moura
A planta-piloto foi inaugurada em 2023 no Instituto SENAI de Inovação em Energias Renováveis, sediado no HIT. A pesquisadora do ISI-ER e coordenadora do projeto, Fabíola Correia, explica que a iniciativa, desenvolvida em parceria com a Cooperação Técnica Alemã (GIZ), demonstrou a viabilidade técnica da conversão da glicerina em combustível sustentável de aviação, agregando valor a resíduos e promovendo a economia circular.
“O projeto avançou na validação da rota Fischer-Tropsch, certificada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), com a obtenção de frações de hidrocarbonetos na faixa de querosene de aviação”, complementa Correia.
O estudo, intitulado “Geração de combustíveis sintéticos de aviação a partir da glicerina oriunda da produção de biodiesel”, pode ser acessado no link: https://ptx-hub.org/pt-br/cooperacao-alema-fomenta-producao-de-saf-no-nordeste-do-brasil/.
“Esses resultados são fundamentais para posicionar o Brasil de forma mais competitiva em um cenário global altamente dinâmico, no qual os combustíveis sustentáveis desempenham papel central na descarbonização do setor aéreo e na transição energética. Além disso, evidenciam o potencial do país em transformar sua abundância de biomassa e sua experiência em biocombustíveis em soluções inovadoras de alto valor agregado”, analisa Fabiola Correia.
Ela observa que, ao ser contemplado em análises oficiais, o trabalho do ISI-ER contribui diretamente para a formulação de políticas públicas, o direcionamento de investimentos em Pesquisa & Desenvolvimento (P&D) e a construção de estratégias nacionais voltadas à bioeconomia e à sustentabilidade.
“Trata-se de um reconhecimento que reforça o papel da ciência e da inovação brasileiras como pilares essenciais para o desenvolvimento econômico e ambiental do país”, afirma. “E ter a planta-piloto citada como referência reforça a relevância científica e estratégica das pesquisas conduzidas pelo ISI-ER.”
O projeto de produção de Combustível Sustentável de Aviação foi executado por meio de parceria entre a Cooperação Técnica Alemã para o desenvolvimento sustentável (na sigla alemã GIZ – Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit) e o SENAI-RN, que há aproximadamente 10 anos estuda rotas alternativas de produção de hidrogênio – aquelas que não geram emissão de carbono no processo industrial – assim como combustíveis sustentáveis. A iniciativa foi realizada por meio do ISI-ER, com o apoio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI) e participação da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), sob coordenação da professora doutora de Química do Petróleo, Amanda Duarte Gondim, e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
SAIBA MAIS – CONGRESSO
Considerado o maior evento de inovação industrial da América Latina e um dos principais do mundo, o Congresso de Inovação da Indústria deve reunir, até esta quinta-feira (26), cerca de 2 mil participantes, entre lideranças empresariais, representantes do governo e instituições de ciência e tecnologia (ICTs). O objetivo é discutir desafios e oportunidades para a inovação no país e contribuir para o avanço de políticas públicas na área.
O Congresso é realizado pela CNI e pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), com correalização do Serviço Social da Indústria (SESI), do SENAI e do Instituto Euvaldo Lodi (IEL). Esta edição conta com apoio estratégico do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), apoio institucional do INPI e do OCB, além de patrocínio de empresas como Embrapii, Finep, BNDES, Embraer, Petrobras, Itaú, Grupo Boticário, Bosch, Rockwell, Siemens e Vale.
Texto: Renata Moura
Fotos: Divulgação