Capital intelectual, banco de dados, redes colaborativas: tudo isso têm impactado avanços na formulação de políticas industriais e na cooperação entre instituições públicas e privadas; confira alguns exemplos

Foto: Gilberto Sousa/CNI
Ferramentas de inteligência são a nova tendência para a tomada de decisão em políticas industriais modernas e robustas, guiadas por evidências e dados sólidos. O embasamento técnico e estratégico dos profissionais, ligados ao planejamento e execução de políticas públicas, se torna a junção ideal para o desenvolvimento industrial de qualidade.
E na lista está: capital intelectual, inteligência artificial, análise de banco de dados, redes colaborativas multidisciplinares para a troca de conhecimento, ou seja, tudo isso têm impactado os avanços na formulação de políticas industriais e na cooperação entre instituições públicas e privadas.
O superintendente de Política Industrial da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Fabrício Silveira, contou que um dos trabalhos da CNI tem sido o de reunir casos de sucesso sobre a produção de conhecimento aplicado e inteligência estratégica, a partir de metodologias reconhecidas e estudos avançados, que possam impactar novos negócios a partir da transferência de tecnologias e otimização de recursos.
“A inteligência de dados é fundamental para podermos prever direções de tendências futuras, analisar cenários e buscar decisões mais assertivas, o que pode trazer melhorias para a competitividade da indústria nacional”, completou Silveira.
Dados integrados para o desenvolvimento econômico
Alexander Simões, diretor-executivo da empresa americana Datawheel, trabalha com diversificação inteligente para o ambiente competitivo global. Simões deu exemplos de plataformas de visualização de dados em diferentes países e como as customizações das ferramentas são imprescindíveis para a análise precisa dos cenários econômicos. Esse e outros cases foram apresentados no seminário “Indústria, Dados e Território: Ferramentas de Inteligência para o Desenvolvimento Regional e Industrial”, realizado pela CNI em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), no dia 23 de janeiro.
A Datawheel é responsável por desenvolver ferramentas de visualização e análise de dados que influenciam políticas públicas em todo o globo como o DataUSA, DataMéxico, DataSaudi. No Brasil a empresa desenvolve visualizações no DataMPE, que é focada em pequenas e médias empresas, com a integração, visualização e distribuição de dados macroeconômicos.
Para Simões, a ciência de dados e a inteligência artificial são o caminho para impulsionar o progresso econômico mundial.
“Para nações e empresas que buscam o crescimento sustentável, o dado isolado é apenas ruído. O dado integrado, transformado em plataformas de visualização e análise, é que nos permite enxergar as cadeias de valor, identificar novos caminhos para a diversificação e construir uma arquitetura econômica robusta, capaz de resistir e prosperar em meio à complexidade”, destacou.
Descarbonização mensurada por inteligência estratégica
Outra plataforma apresentada durante o seminário foi a Plataforma Interativa de Descarbonização (PID). Desenvolvida em parceria pelo E+ e o Net Zero Industrial Policy Lab da Universidade Johns Hopkins, ela é uma ferramenta digital que integra dados estratégicos sobre infraestrutura, recursos energéticos, emissões e indústrias para apoiar o desenvolvimento de projetos industriais de baixo carbono.
A responsável técnica pela PID, Marina Almeida, explicou que a plataforma está na versão 3.0 e possui indicadores de transição energética por estado, o que possibilita análises regionais mais específicas.
“Ela é uma ferramenta intuitiva e orientada por dados que viabiliza estratégias entre o desenvolvimento industrial e o planejamento da infraestrutura e contribui para a identificação de locais mais promissores e oportunidades de investimento em tecnologias de baixo carbono”.
A atuação dos observatórios nacionais na previsão dos cenários econômicos
O Observatório da Indústria também foi destaque durante o seminário. Rafael Silva e Sousa, gerente de Estudos e Prospectiva Industrial da CNI apresentou o Observatório e as suas principais áreas de atuação. Ele é o maior hub da indústria nacional com mais de 209 bases mapeadas em um único lugar e pretende produzir conhecimento aplicado e inteligência estratégica a partir de uma grande rede colaborativa capaz de acessar e analisar dados, identificar e construir cenários de futuro.
Sousa destacou que o observatório foi imprescindível para entender o impacto do tarifaço dos Estados Unidos nas regiões do Brasil e quais seriam os produtos mais impactados com base no cruzamento dos dados do DataHub.










