Fórum Natal do Futuro debate desafios da educação e melhoria do ensino

15/04/2026   15h00

O Grupo de Trabalho da Educação do Fórum Natal do Futuro se reuniu na manhã desta quarta-feira (15), na Casa do Comércio, sede da Fecomércio-RN, para discutir os principais desafios da educação no Rio Grande do Norte e, especialmente, em Natal. O encontro contou com palestra da professora Lília Asuca, do Departamento de Administração da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

 

Representando a FIERN no Fórum, o diretor Djalma Júnior destacou que o fórum cumpre um papel estratégico ao reunir diferentes instituições na construção de soluções conjuntas. “O Fórum Natal do Futuro permite que diferentes entidades tragam suas visões e contribuam com soluções práticas. A partir desse diálogo, conseguimos construir propostas que podem ser apresentadas tanto à sociedade quanto ao poder público, com o objetivo de promover transformações reais na educação”, afirmou.

 

Ele também ressaltou a importância de compreender as causas dos indicadores educacionais e atuar na base do ensino. “Está muito claro que o IDEB, por ser estruturado com a soma do desempenho e da eficiência, exige que a gente avalie as origens”, concluiu.

 

Durante a apresentação, a educadora analisou indicadores como o Índice da Criança Alfabetizada (ICA) e o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB), destacando que, embora sejam importantes ferramentas de análise, não são capazes de retratar completamente a realidade educacional. “Nenhuma métrica é capaz de retratar com fidelidade a complexidade da realidade”, afirmou.

 

Ela alertou ainda para o uso inadequado do IDEB como objetivo final. “O IDEB não deve ser tratado como ferramenta fim, pois a escola corre o risco de ensinar exclusivamente para o teste, restringir o currículo e priorizar estratégias focadas apenas em elevar a pontuação”, explicou.

 

Segundo a professora, o índice deve ser utilizado como meio para promover melhorias, permitindo diagnóstico das desigualdades, acompanhamento da trajetória dos alunos e foco na recuperação da aprendizagem.

 

Entre os dados apresentados, Lília destacou a distorção idade-série em Natal, que atinge 11,8% dos alunos nos anos iniciais, 39% nos anos finais do ensino fundamental e 36,7% no ensino médio. “Os anos finais são um grande ponto a ser trabalhado, porque quase 40% dos estudantes estão defasados”, pontuou.

 

A alfabetização foi apontada como um dos principais desafios. De acordo com a professora, em uma turma do 2º ano, de 30 alunos em Natal, menos da metade está alfabetizada. “A alfabetização é o marco para o início da desigualdade educacional. Uma criança que aprende a ler e escrever com autonomia segue sua trajetória. Já aquela que não aprende carrega essa defasagem por muito tempo ou acaba evadindo”, destacou.

 

Ela reforçou a necessidade de diagnóstico precoce e intervenções direcionadas. “Reprovação não é o caminho, mas a aprovação automática também não é. É preciso identificar quais reforços cada criança precisa”, afirmou. A educadora também ressaltou o papel da educação infantil, especialmente da pré-escola, no desenvolvimento do vocabulário e no contato inicial com a leitura.

 

Entre os caminhos apontados para a melhoria da educação, Lília Asuca destacou a ampliação da educação em tempo integral e a oferta de atividades diversificadas no ambiente escolar, apesar dos desafios estruturais