Em Fórum em Natal, ISI-ER apresenta soluções para reaproveitamento de módulos de energia solar

25/05/2026   11h59

Samira Azevedo, pesquisadora líder do Laboratório de Energia Solar do Instituto: “Existem várias possibilidades de destino para os componentes dos módulos fotovoltaicos”

 

Uma imagem com carrinhos, pequenos robôs, aviões e outros brinquedos aparece projetada no telão, em Natal (RN), junto a uma “mesa solar” e à menção a mais uma ideia: um aditivo à base de silício para reforçar a composição do cimento que chega ao mercado. 

 

“Existem várias possibilidades de destino para os componentes dos módulos fotovoltaicos”, diz a pesquisadora líder do Laboratório de Energia Solar do Instituto SENAI de Inovação em Energias Renováveis (ISI-ER), Samira Azevedo. “E isso pode gerar novos negócios, ser oportunidade para novas empresas nesse segmento”.

 

O assunto foi abordado por ela no painel “Inovação e Indústria Sustentável”, do Fórum Sebrae de Energia Solar, onde detalhou problemas que comprometem os módulos e levantou a discussão sobre economia circular, com foco em repotenciação de usinas e reciclagem dos equipamentos.

 

Na apresentação “O futuro da energia solar termina quando para de gerar energia?”, a pesquisadora mostrou que o volume de resíduos fotovoltaicos pode ultrapassar 80 milhões de toneladas até 2050, no mundo – incluindo a parcela gerada no Brasil – e que isso cria oportunidades para novos modelos de negócio ligados à logística reversa, recuperação de materiais críticos, remanufatura e até mercado de segunda vida para equipamentos.

 

A reciclagem, observou ainda ela, não é a única possibilidade do que fazer com os equipamentos que chegarem ao fim da vida útil ou perderem espaço para outros mais modernos. “Muitos desses módulos podem ter uma segunda vida através de reuso e a inovação é um dos caminhos para isso”, acrescentou.

 

Desafios

Discussões sobre desafios observados na área, frisa a pesquisadora, avançam no setor não só pela “montanha de equipamentos” que, no futuro, vai precisar de destinação adequada. Uma complexidade envolvida no processo é como extrair e aproveitar de maneira eficiente componentes como o silício, que faz parte dos módulos e pode servir de insumo também para outras indústrias. 

 

“O silício é o material que possui o maior valor agregado, contudo, um dos maiores desafios é remover o encapsulante polimérico, principalmente o EVA, sem degradar esses materiais nobres como o silício e a prata. Hoje existem rotas mecânicas, térmicas e químicas, mas cada uma possui limitações relacionadas a custo energético, pureza dos materiais recuperados e escalabilidade”, explica a pesquisadora.

 

Principal referência do SENAI no Brasil em Pesquisa, Desenvolvimento & Inovação (PD&I) em energia eólica, solar e sustentabilidade, o Instituto SENAI de Inovação em Energias Renováveis tem como um dos papeis, segundo Azevedo, o de estudar novas formas de uso e o desenvolvimento de produtos de alto valor agregado para a atividade.

 

“Essa já é uma demanda do setor e iremos iniciar agora um projeto de iniciação científica nessa temática, trazendo alunos da FAETI (Faculdade de Energias Renováveis e Tecnologias Industriais do SENAI) para trabalhar também essas soluções no nosso laboratório”, disse a pesquisadora. “Nossa meta é trazer soluções com novos usos e novas aplicações para esses produtos”.

 

Tema foi abordado no painel “Inovação e Indústria Sustentável”, do Fórum Sebrae de Energia Solar, em Natal

 

O painel Inovação e Indústria Sustentável teve mediação da gerente do Polo Sebrae de Energias Renováveis, Lorena Roosevelt, e participação de Fernanda Medeiros, da empresa Recicla. Ele encerrou a agenda de discussões na programação do Fórum Sebrae de Energia Solar, realizado no Hotel Wish, em Natal, nos dias 14 e 15 de maio. 

 

Qualificação

Durante a apresentação, a pesquisadora do ISI-ER anunciou que o SENAI vai expandir possibilidades de formação para profissionais do setor no Rio Grande do Norte.  A expectativa, segundo a instituição, é lançar ainda este ano os primeiros três cursos na área de operação e manutenção (O&M) da atividade fotovoltaica. “São cursos mais técnicos, voltados ao acompanhamento da ‘saúde’ das usinas”, explica Azevedo. 

 

Os cursos foram desenvolvidos pelo Instituto e serão oferecidos em Natal, em parceria com o Centro de Tecnologias do Gás e Energias Renováveis (SENAI CTGAS-ER), referência do SENAI no Brasil em educação profissional para o setor de energia e as indústrias do gás

 

As novas formações serão nas áreas de “Análise de Desempenho de Módulos, com ênfase na Portaria INMETRO nº 140/2022”, “Operação e Manutenção de Estações Solarimétricas” e “Ensaio de Eletroluminescência aplicado a Módulos Fotovoltaicos”.

 

A Portaria nº 140/2022 do Inmetro estabelece requisitos relacionados à segurança elétrica, estabilidade da rede, qualidade de energia, desempenho energético e compatibilidade eletromagnética para equipamentos em sistemas fotovoltaicos.

 

Já o ensaio de eletroluminescência utiliza câmeras especiais para detecção de falhas nos equipamentos. “É um método de detecção de falhas não invasivo, que permite a identificação de defeitos não visíveis ao olho humano através da emissão de radiação eletroluminescente”, explica a pesquisadora.

 

Detalhes como número de vagas, valor do investimento, período de matrículas e início das aulas ainda serão divulgados. 

 

SOBRE O ISI-ER

O Instituto SENAI de Inovação em Energias Renováveis (ISI-ER) é a principal referência do SENAI no Brasil em Pesquisa Aplicada, Desenvolvimento & Inovação para indústrias de energias renováveis e, no Nordeste brasileiro, também lidera iniciativas da instituição para soluções de sustentabilidade voltadas à transição energética.

 

Inaugurado oficialmente em 2021, no Rio Grande do Norte, o Instituto é parte da maior rede de ciência e tecnologia para o setor industrial no país – composta por 28 Institutos SENAI de Inovação (ISIs).

 

A equipe é formada por mestres, doutores e técnicos em áreas como engenharia (mecânica, civil, elétrica, química e naval), meteorologia, oceanografia, geografia e tecnologia da informação.

 

O portfólio abrange estudos, tecnologias e marcos inéditos nacionalmente, como a primeira planta-piloto offshore do Brasil a receber licença prévia do Ibama.

 

A atuação, hoje, envolve oito áreas estratégicas: Energia eólica, Energia solar, Sustentabilidade, Hidrogênio, Combustíveis avançados, Economia azul, Meio Ambiente e Geointeligência.

 

Texto e fotos: Renata Moura