
Workshop para apresentação do projeto reuniu especialistas e diferentes instituições, incluindo o ISI-ER, na semana passada
O Instituto SENAI de Inovação em Energias Renováveis (ISI-ER) integra o grupo de especialistas que vai estudar caminhos para a implantação de um hub de combustíveis sustentáveis no estado de Pernambuco.
O projeto foi apresentado na semana passada na capital, Recife, durante Workshop com representantes do Governo de Pernambuco e de outras instituições em que foram debatidos o potencial do estado para produção, armazenamento e distribuição de combustíveis de baixo carbono.
O trabalho é coordenado pelo professor Sérgio Peres, da UPE (Universidade de Pernambuco). Segundo a pesquisadora do ISI-ER, Fabiola Correia, o Instituto participa da iniciativa com estudos voltados às rotas tecnológicas para produção dos combustíveis sustentáveis.
“Nós vamos trazer um panorama das principais rotas no contexto do estado de Pernambuco, sugerindo as de maior interesse em relação à disponibilidade de matérias-primas”, diz Correia.
Hub
O projeto do Hub de Combustíveis Sustentáveis de Pernambuco é uma iniciativa do Governo do Estado, financiado pelo iCS (Instituto Clima e Sociedade), e reúne especialistas para a elaboração de um documento que trate das tecnologias, infraestrutura e integração industrial relacionadas à produção de combustíveis de baixo carbono no Nordeste brasileiro, com foco em Pernambuco.
“O objetivo é embasar tecnicamente os tomadores de decisão para a construção futura do Hub. A iniciativa também dialoga com a vocação estratégica do Estado, especialmente pela presença do Porto de Suape, que vem se consolidando como um dos principais polos estratégicos do Brasil para o desenvolvimento da economia de baixo carbono e da cadeia de combustíveis verdes, favorecendo exportação, distribuição e integração energética”, complementa Fabiola Correia.
Principal referência do SENAI no Brasil em Pesquisa, Desenvolvimento & Inovação (PD&I) em energia eólica, solar e sustentabilidade, o Instituto SENAI de Inovação em Energias Renováveis concentra pesquisadores/as que desenvolvem, há mais de 10 anos, trabalhos em busca das melhores rotas tecnológicas para o progresso da indústria, com redução de emissões nos processos produtivos.
Em Pernambuco, os trabalhos relacionados ao projeto começaram em abril e terão duração de seis meses. O evento na semana passada marcou a abertura das discussões para a comunidade científica, a indústria e a sociedade.

Imagem mostra o professor Sérgio Peres, coordenador do projeto, e a pesquisadora do ISI-ER, Fabiola Correia, que coordena estudos relacionados a combustíveis sustentáveis no Instituto e participa como convidada do grupo de especialistas que está analisando caminhos para implantação do hub em Pernambuco
Rotas tecnológicas
Rotas tecnológicas para combustíveis sustentáveis são os processos de produção já certificados pela ASTM (American Society for Testing and Materials) e aprovados pela ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) para produção e uso de combustíveis sintéticos. No Brasil, observa Correia, características e potenciais dos estados variam nesse contexto.
“Para o caso de Pernambuco, temos dois caminhos principais a partir da matéria-prima disponível. Um é a rota que contempla resíduos sólidos e outro envolve os produtos da indústria sucroenergética”, acrescenta.
A pesquisadora destaca que o porto de Suape representa um diferencial importante para a região. “Outro fator relevante é a indústria sucroenergética muito forte no estado, que atende bem algumas rotas, principalmente a que converte álcool em combustíveis, conhecida como ATJ”, detalha.
Segundo a pesquisadora, um hub de combustíveis sustentáveis no Nordeste, especialmente associado ao Porto de Suape, pode gerar impactos estruturantes para a transição energética brasileira, promovendo transformação industrial, inovação tecnológica e desenvolvimento socioeconômico regional.
“O principal impacto é acelerar a substituição gradual de combustíveis fósseis por alternativas de baixa intensidade de carbono, contribuindo para metas climáticas nacionais e internacionais. Além disso, permite a criação de um ecossistema de inovação capaz de reduzir dependência tecnológica externa e ampliar a nacionalização de soluções estratégicas”, analisa Correia.
A pesquisadora observa ainda que “a implantação de um hub energético sustentável tende a estimular uma nova cadeia industrial regional, fortalecendo a industrialização regional e aumentando a competitividade do Nordeste em setores estratégicos da nova economia de baixo carbono”.
“Para a geração de empregos, os impactos podem ocorrer em diferentes níveis, com empregos diretos, operação industrial, engenharia, manutenção, pesquisa, entre outros. Para empregos indiretos, temos toda a cadeia de fornecedores, construção civil, transporte, entre outros. Além disso, a transição energética demanda profissionais especializados, que pode elevar o nível tecnológico e salarial da economia regional”, frisa.
Experiência
A experiência acumulada pelo ISI-ER em outros projetos voltados a combustíveis sustentáveis contribui para as discussões relacionadas ao hub em Pernambuco. Um projeto pioneiro do Instituto no Rio Grande do Norte, por exemplo, já desenvolveu SAF (combustível sustentável de aviação), a partir da glicerina, pela rota Fischer-Tropsch – que possibilita a produção de combustíveis a partir de diferentes matérias-primas.
No RN, observa Correia, também é enxergado potencial para atuação em diferentes rotas tecnológicas, incluindo, além da produção de SAF, biometano, hidrogênio renovável, amônia verde e combustíveis sintéticos produzidos via Síntese de Fischer-Tropsch.
“A disponibilidade de biomassa, resíduos agroindustriais e energia renovável amplia ainda mais as possibilidades de integração entre diferentes cadeias produtivas sustentáveis”, frisa a pesquisadora. “O Rio Grande do Norte é reconhecido nacionalmente como um dos maiores produtores de energia eólica do país, com grande capacidade de geração de energia renovável, fator essencial para viabilizar rotas de baixo carbono, especialmente aquelas que tratam de eletrificação e produção de hidrogênio verde”, explica.
Nacionalmente, diz ainda a pesquisadora, aumentar a escala de produção tem sido o maior desafio para consolidar o setor de combustíveis sustentáveis. “Para conseguir isso, precisamos de investimento e políticas públicas. Por isso essa iniciativa do Governo Estadual é tão importante para o Hub”, observa Correia.
SOBRE O ISI-ER
O Instituto SENAI de Inovação em Energias Renováveis (ISI-ER) é a principal referência do SENAI no Brasil em Pesquisa Aplicada, Desenvolvimento & Inovação para indústrias de energias renováveis e, no Nordeste brasileiro, também lidera iniciativas da instituição para soluções de sustentabilidade voltadas à transição energética.
Inaugurado oficialmente em 2021, no Rio Grande do Norte, o Instituto é parte da maior rede de ciência e tecnologia para o setor industrial no país – composta por 28 Institutos SENAI de Inovação (ISIs).
A equipe é formada por mestres, doutores e técnicos em áreas como engenharia (mecânica, civil, elétrica, química e naval), meteorologia, oceanografia, geografia e tecnologia da informação.
O portfólio abrange estudos, tecnologias e marcos inéditos nacionalmente, como a primeira planta-piloto offshore do Brasil a receber licença prévia do Ibama.
A atuação, hoje, envolve oito áreas estratégicas: Energia eólica, Energia solar, Sustentabilidade, Hidrogênio, Combustíveis avançados, Economia azul, Meio Ambiente e Geointeligência.
Texto: Renata Moura
Fotos: Divulgação