Diretor do SENAI-RN apresenta projetos do ISI-ER no Congresso Brasileiro de Inovação e Gestão de Desenvolvimento do Produto

24/11/2023   18h29

Apresentação foi realizada em mesa redonda sobre desafios e oportunidades para a transição rumo à Economia Circular

 

O diretor do SENAI do Rio Grande do Norte (SENAI-RN) e do Instituto SENAI de Inovação em Energias Renováveis (ISI-ER), Rodrigo Mello, apresentou nesta sexta-feira (24), na UFRN, exemplos práticos de projetos da instituição baseados em economia circular e de como a integração entre mercado, instituições de pesquisa e a academia é capaz de trazer resultados positivos para a indústria e a sociedade.

 

A apresentação foi realizada no 14ª Congresso Brasileiro de Inovação e Gestão de Desenvolvimento do Produto, em uma mesa redonda sobre desafios e oportunidades para a transição rumo à Economia Circular – conceito que associa desenvolvimento econômico a um melhor uso de recursos naturais, por meio de novos modelos de negócios e da otimização nos processos de fabricação, com menor dependência de matéria-prima virgem, priorizando insumos mais duráveis, recicláveis e renováveis.

 

Durante a exposição que fez, Mello tratou da lógica da economia circular no contexto das energias renováveis e de projetos de inovação que o ISI-ER tem desenvolvido. “O setor de energia renovável nasce preocupado com o que vai fazer com o descomissionamento de equipamentos daqui a 20 anos. Nós, do Instituto SENAI, Acabamos de inaugurar o laboratório mais avançado do país na área de querosene de aviação a partir de biocarbono (o Laboratório de Hidrogênio e Combustíveis Avançados (H2CA)”, disse ele.

 

“Esse laboratório nasce de um coproduto da indústria do biodiesel, que vem do óleo da soja, que tem uma fase agrícola, que capta carbono….O nosso DNA é um DNA que já nasce em todos os projetos com a lógica da sustentabilidade, com a lógica de ESG e com a lógica de economia circular, construindo uma governança para que isso seja verdade e sustentável do ponto de vista de geração de riqueza e ocupação de pessoas”, complementou ele. 

 

Rodrigo Mello: “O nosso DNA é um DNA que já nasce em todos os projetos com a lógica da sustentabilidade, com a lógica de ESG e com a lógica de economia circular”

 

Questões como transição energética, desafios para que soluções inovadoras sejam desenvolvidas e alcancem escala de produção, oportunidades de ressignificação de resíduos, a importância de parcerias e cooperação entre diferentes instituições para o desenvolvimento sustentável, além de ESG (sigla em inglês para environmental, social and governance, que corresponde às práticas ambientais, sociais e de governança de uma organização), foram discutidas na mesa redonda.

 

Inovação

 

O executivo analisou ganhos que a aproximação do mercado com instituições de pesquisa proporciona, apontando, entre outros exemplos, um na área de energia solar. 

 

Um projeto desenvolvido pelo ISI em parceria com a Universidade Federal de Santa Catarina, a UNESP, e uma grande empresa do setor de energia, detalhou ele, “conseguiu elevar em até 30% o desempenho de módulos fotovoltaicos em estudo, em um processo de economia circular”. 

 

Os pesquisadores envolvidos, disse Mello, enxergaram além dos módulos. “Eles enxergaram o solo, onde reflete alguma radiação, e começaram a tratá-lo com rejeito da indústria de mineração”.

 

O diretor citou ainda trabalhos do Instituto que envolvem recirculação química, uma tecnologia que permite a “captura do CO2” – ou seja, a retenção do gás mais abundante do efeito estufa, em vez da liberação prejudicial à atmosfera, em processos de reforma e combustão de combustíveis fósseis.

 

Essa tecnologia permite o aproveitamento do CO2, captado em alta concentração no processo, para sua transformação em insumos ou para armazenamento de forma geológica, com possibilidade de reutilização em atividades como a do petróleo.

 

O Laboratório de Sustentabilidade do ISI realiza estudos na área com combustíveis gasosos e líquidos e se prepara para receber uma nova infraestrutura que irá possibilitar experimentos também com combustíveis sólidos, como bagaço de cana, casca do coco e esterco de animais. A expectativa, segundo o Instituto, é gerar energia com captura de CO2, através do melhor aproveitamento dos principais resíduos de biomassa do Brasil.

 

O debate também contou com a participação da professora Marly Monteiro, da Universidade de São Paulo (USP), do professor Leonardo Pivôtto Nicodemo, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte (IFRN), do professor, diretor e pesquisador da Mudrá Planejamento de Embalagens, do Rio Grande do Sul, Ricardo Sastre, e da sócia-administradora da Primar, primeira fazenda brasileira de produção de camarões e ostras orgânicas, Marcia Kafensztok.

 

Conceitos como Economia Circular e ESG também foram esmiuçados durante palestras do Congresso

 

Texto e fotos: Renata Moura