A indústria do Rio Grande do Norte ampliou sua participação na economia do estado nos últimos anos. A fatia industrial do Produto Interno Bruto (PIB) do estado saiu de 20,7% para 23,36%, chegando ao patamar de R$ 21 bilhões de participação no PIB. A relevância desse segmento econômico, é celebrada nesta segunda-feira, 25 de maio, Dia da Indústria.
Os números foram compilados pelo Observatório da Indústria Mais RN, núcleo de inteligência estratégica da Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte (FIERN), no Atlas da Indústria Potiguar. O avanço do PIB indica que o setor está crescendo em ritmo mais acelerado do que a economia estadual como um todo.

“A indústria está presente no nosso dia a dia. No café, na roupa que vestimos, no automóvel que andamos. Ela cria, transforma e movimenta nossa rotina”, destaca Roberto Serquiz, presidente da FIERN. “O setor tem crescido nos últimos anos e tem sido um fator muito importante também no comércio exterior do Rio Grande do Norte, correspondendo a 68% das nossas exportações”, acrescenta.
As exportações industriais potiguares somaram US$ 773 milhões no primeiro quadrimestre de 2026. Os principais produtos que carregam o nome do Rio Grande do Norte para o mundo incluem petróleo, mineração, pescado e doces e caramelos.
No campo do emprego, o setor ultrapassou a marca dos 130 mil vínculos formais de trabalho e se destaca pela remuneração média, que supera em quase duas vezes o salário-mínimo vigente. De acordo com o Atlas da Indústria, o salário médio pago pela indústria potiguar chegou a R$ 2.630.
O analista do Observatório da Indústria, Pedro Albuquerque, destaca que “esse patamar salarial injeta na economia do estado uma massa salarial estimada em R$ 4,4 bilhões, com efeitos multiplicadores sobre o comércio, os serviços e o consumo das famílias.”
O número de estabelecimentos industriais ativos no estado saltou de aproximadamente 11.600 para 13.700 unidades — um crescimento de quase 18% que representa a chegada de centenas de novos empreendimentos ao mapa produtivo do RN.
Para além dos números estruturais, há um componente psicológico fundamental para o desenvolvimento econômico: a confiança. O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) potiguar atingiu 55,6 pontos — o maior valor registrado desde dezembro de 2024 — sinalizando que quem produz acredita no futuro do setor e tem disposição para investir.
Desafios e oportunidades
O presidente da FIERN, Roberto Serquiz, aponta que o Rio Grande do Norte tem importantes vocações naturais para a indústria, mas também enfrenta desafios para consolidar os investimentos.
Em diálogo com o Governo do Estado, a Federação apresentou uma agenda de desenvolvimento que abrange pautas de infraestrutura, regulatórias e projetos setoriais. “O grande gargalo atual é o licenciamento, mas temos discutido esse tema, que parece estar em uma reta final para envio da atualização da Lei do Licenciamento Ambiental. A norma é de 2004 e não abrange os potenciais produtivos que temos hoje”, afirma Serquiz.
“Precisamos que seja mais ágil e mais célere, para que quem já investe no estado possa ampliar a atuação, como também atrair investimentos para nosso estado”, acrescenta o presidente.
Cenário nacional
No âmbito nacional, a indústria é responsável pelo emprego de 11,8 milhões de trabalhadores – o equivalente a 20,6% dos empregos formais do Brasil – e por 23,4% do PIB nacional. Dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI) apontam que a cada R$ 1 produzido na indústria, são revertidos em R$ 2,44 para a economia brasileira.
O presidente da CNI, Ricardo Alban, comenta que “não existe país forte nem economia forte sem uma indústria forte.”
“O setor industrial se mostra imprescindível para o país superar obstáculos e buscar o caminho do crescimento. A indústria manufatureira é a responsável por desenvolver e disseminar tecnologia no país e pelos maiores investimentos e salários”, completa Alban.