Indústria precisa aproveitar as oportunidades da economia de baixo carbono, diz Ricardo Alban

10/11/2023   10h08

 

O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, afirma que o setor industrial está preparado para a transição do Brasil para uma economia de baixo carbono.

 


“Mas precisamos de mais mão-de-obra qualificada e precisamos aproveitar as oportunidades, como as novas tecnologias e fontes de energia limpa, como o hidrogênio verde e a eólica offshore, e também aproveitar os recursos dos fundos internacionais de financiamento disponíveis”, afirma Alban.


 

 

O industrial participou do 6º Fórum Brasil de Investimentos 2023 (BIF), na terça-feira (7), no Palácio do Itamaraty. A abertura foi feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, junto com os anfitriões, presidente da ApexBrasil, Jorge Viana, e presidente do Banco Interamericano de Investimento (BID), Ilan Goldfajn.

 

De acordo com o presidente Lula, a transição climática é muito séria e o planeta está dando um aviso: “cuide mim, não me destruam, porque vocês serão destruídos comigo”. Ele afirma é preciso mudar o modelo de desenvolvimento e colocar em prática a economia verde. “Temos que fazer nessa transição energética a nossa revolução industrial e oferecer oportunidades a quem quiser investir no Brasil”, afirma.

 

O presidente Lula afirmou que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) vai voltar a ser o banco de investimento com linhas de financiamento de longo prazo e juros baixos para que a indústria brasileira se transforme em uma indústria competitiva. Ele diz que tem acompanhado o subsídio do governo americano para financiar a nova matriz energética e afirmou que não fará o mesmo no Brasil.

 

“Nós não vamos subsidiar, vamos apenas incentivar e dizer que, se depender da vontade do nosso governo, para quem quiser produzir carro verde, aço verde, bicicleta verde, motocicleta verde, não precisa procurar, tem um lugar chamado Brasil em que a natureza nos garante competitividade, sol, água e a possiblidade de se transformar a possibilidade de ser o maior produtor de energia limpa e renovável do planeta Terra”, garantiu.

 

Também participaram do evento o vice-presidente Geraldo Alckmin e os ministros das Relações Exteriores, Mauro Vieira, da Agricultura, Carlos Fávaro, do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, da Casa Civil, Rui Costa, e do Planejamento, Simone Tebet.

O Brasil pode, e deve, ser um líder global na defesa da natureza e da biodiversidade

O presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Ilan Goldfajn, alertou para o desafio das mudanças climáticas e o impacto nos países, nas empresas e na sociedade. Segundo ele, o Brasil pode, e deve, ser um líder global na defesa da natureza e da biodiversidade.

 


“O Brasil está entre os países mais biodiversos do mundo, com grande potencial para investimentos”, afirma.


 

Goldfajn afirma que só a Amazônia produz US$ 3 bilhões em bioprodutos, com potencial para chegar em US$ 8 bilhões em algumas décadas. “O Brasil tem a oportunidade de ser também uma potência, ao consolidar a Amazônia Legal como catalizadora da economia de baixo carbono, gerando emprego, valorizando a cultura local e outros ativos ambientais”, garante.

 

O presidente do BID afirma que o Brasil tem potencial para ser produtor e exportador de energia limpa. “A energia limpa é fundamental para a transição energética. O Brasil está em uma posição privilegiada para ser um dos grandes atores globais no processo de descarbonização do país”.

 

 

Queremos a reindustrialização no país, de forma sustentável, compatível com descarbonização, diz chanceler

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que o Brasil tem hoje um potencial único no planeta, pois está inserido num contexto regional pacífico e tem credenciais singulares quanto ao uso de energia renovável em sua matriz.

 

“Conta com capacidade de alimentar o mundo de forma sustentável e de produzir vários dos insumos para a transição energética. Queremos fomentar a reindustrialização no país, mas fazendo isso de forma sustentável, compatível com o imperativo da descarbonização”, afirmou.

 

Mauro Vieira diz que, em todos os seus contatos com interlocutores estrangeiros, ressalta a solidez dos fundamentos da economia brasileira, o amplo potencial de investimentos no Brasil e o comprometimento do país com a sustentabilidade em suas três dimensões: econômica, social e ambiental, “condição incontornável” para a atração de investimentos. Mas esse trabalho, diz o embaixador, não poderá ser feito apenas pelo governo, e o setor privado terá muito a contribuir.

 

Em 2024, o Brasil exercerá a presidência do G20 e sediará as suas reuniões do grupo. Segundo ele, a presidência brasileira do G20 terá como prioridades os temas de redução das desigualdades, de enfrentamento à crise climática e de reforma das instituições de governança global. “Conto com o auxílio de todos aqui para, na medida de suas atribuições, fazer da presidência brasileira um sucesso”, diz.