Sindicatos da indústria dialogam sobre apoio a programa de ressocialização e qualificação profissional

23/02/2024   09h34

 

As oficinas de trabalho da Penitenciária Estadual Dr. Francisco Nogueira Fernandes, conhecido como presídio de Alcaçuz, deverão ter melhores condições para produzir e manter em atividade os internos autorizados para passarem por programa de qualificação profissional. O diretor da penitenciária, João Paulo Ribeiro Souza, se reuniu com o presidente do Sindicato das Indústrias de Serrarias, Carpintarias e Marcenarias do Estado do Rio Grande do Norte (SINDMÓVEIS-RN), Ney Robson Alves, e com a presidente do Sindicato das Indústrias de Fiação e Tecelagem (SIFT-RN), Helane Cruz, para tratar de apoio ao programa voltado à ressocialização e qualificação profissional.

 

No encontro, na quarta-feira (21), Ney Robson afirmou que há possibilidade de contribuir com a iniciativa da Direção da Penitenciária e da Secretaria de Estado da Administração Penitenciária (SEAP). “Estamos avançando para uma contribuição do Sindicato, nos preparando para a possibilidade de somar de uma forma mais substancial com esse projeto”, disse o presidente do SINDMÓVEIS-RN.

 

Ele ponderou que é preciso conhecer a realidade destas unidades e com isso definir um possível apoio ao programa. “Às vezes a gente tem uma visão distorcida e quando conhece de perto, vê outros horizontes. Então, é preciso entender que há possibilidade de oportunizar a transformação de vidas, que se pode oferecer chances de um novo mundo para alguns deles [que tenham condições de ressocialização de acordo com a Justiça]. Alguns [se tiverem a oportunidade] vão sair e servir à sociedade. A gente conhece e viu isto”, observou.

 

O presidente do SINDMÓVEIS lembrou que o SENAI-RN tem uma atuação de qualificação, em um programa com o objetivo de reintegração aos que cumprem requisitos legais e normas estabelecidas para este tipo de projeto.

 

A presidente do SIFT-RN também participou da reunião e avaliou que há possibilidade de uma colaboração. “É possível uma parceria do ponto de vista de trabalharmos com doações, entregando insumos para que eles possam continuar trabalhando. Também vejo possibilidades de analisar o aspecto do mercado formal de trabalho para aqueles que já estão em liberdade. É preciso somar. Agora vamos ver o material [sobre o projeto] de forma estruturada para conversar com as empresas do segmento de fiação e tecelagem”, disse Helane Cruz.

 

João Paulo explicou que a ideia é de uma parceria que consiga ampliar os insumos disponíveis e a qualificação profissional. “A partir daí, iremos capacitar profissionalmente mais internos. Daremos oportunidade nas oficinas de trabalho para a produção e mostrar isso para a sociedade”, apontou.

 

O diretor da penitenciária diz que o programa é criterioso, uma vez que há uma seleção feita com análise do perfil dos internos aptos ao trabalho nas oficinas. A Secretaria de Administração Penitenciária do RN designou uma “CTC”, que é a Comissão Técnica de Classificação, para definir esse perfil técnico e profissional. Apenas quem passa por essa avaliação é direcionado aos postos de trabalho adequados à sua competência. Nessa análise, é considerado o comportamento e aspectos processuais. “Tudo é feito por meio de seleção para que a gente possa conseguir essa parceria e, a partir daí, conseguir atender as demandas”, explica.